Eu estava triste porque não poderia passar a virada do ano com o meu então namorado, já que o gato não teria férias e trabalharia até a véspera do ano novo. Sendo assim, viajei para um sítio no interior com uma amiga de infância, meu primo e uns amigos dele.
Passamos a semana fazendo churrasco, curtindo a piscina, até que chegara o tão esperado 31 de dezembro. Cerveja após cerveja, peguei o telefone e não hesitei:
– Bofe! Sai desse trabalho aí e vem logo pra cá! Se vc não vier, não quero mais saber de você! – gritei.
O coitadinho nem sabia o que responder. É óbvio que ele não poderia largar o trabalho assim. Mas, “alegrinha” como eu já estava, quis fazer um drama.
Voltei para a piscina e continuei na cervejada com o pessoal. Veio a noite, nós entramos e nos arrumamos para a virada do ano. Lá pelas 21h, estávamos todos na sala, assistindo televisão, quando olho para a porta e dou de cara com meu bofe, todo bonitinho, com um sorriso no rosto.
Corri para abraçá-lo e enchê-lo de beijos. Eu mal conseguia acreditar que ele estava alí!
Fomos para o salão de festas do sítio e começamos nossa festa de Reveillón. Bebida pra lá, bebida pra cá, vinho pra lá, champanhe pra cá, whisky, energético, cerveja, vodka… Todo mundo chapando e meu bofe na Coca-Cola. Ele não bebia de jeito algum e começou a olhar feio pra mim.
Depois da meia-noite, resolvemos cair na noite, em uma balada ali perto.
– Lu, pare de beber. Sério, tô te pedindo.
Ignorei e comecei a “causar” com a minha amiga. Dançavamos sem parar, feito duas loucas, e o bofe só olhando de longe. Ele já havia pedido para eu parar umas 480 vezes e eu só respondia:
– Ah, não enche! Bebe você também!
Então, na pista, um cara chegou em mim. Em vez de eu dar um “chega pra lá” no dito cujo, continuei dançando e gargalhando com a Dani. Quando olhei para o canto onde o namorado estava… cadê o bofe? Aí me desesperei! Saí correndo para o caixa para ver se dava tempo de alcançá-lo. Ele estava pagando a comanda. Furei a fila, grudei nele, paguei a minha comanda e fui correndo atrás dele pelo estacionamento. Aquele escândalo bonito: eu gritando “me espera!” e ele me ignorando.
#prontocaguei
O cara era todo certinho, todo fofo e eu, por uma bobagem idiota de querer “curtir” a noite, estraguei tudo. Entrei no carro com ele, chorei, implorei por desculpas e ele, MUDO. Dormimos no sítio, ele em uma cama, eu em outra. Voltamos para São Paulo, no dia seguinte, e ele me deixou em casa, sem trocar uma palavra comigo. Só nos falamos no dia 2 de janeiro, quando ele decidiu terminar o namoro.
E aí? Valeu a pena “curtir” o Reveillón assim? Óbvio que não.
Lu