Há quem diga que todo homem é igual, que só muda o endereço, que homem é homem em qualquer lugar do mundo etc, mas posso afirmar que não é bem assim.
Em uma viagem ao Oriente Médio, conheci um cara, no mesmo dia em que eu aterrissei.
Eu sempre soube muito bem como é o comportamento dos árabes, por ser de família libanesa e por já ter namorado um cara daquelas bandas por um bom tempo, e comprovei minha teoria de que “eles gostam mesmo é de mulher”, assim que cheguei lá. Nunca fui tão olhada, tão cantada nem tão bem tratada na vida, por homens, como fui enquanto estive lá.
O gato trabalhava no primeiro lugar onde entrei. Foi paixão à primeira vista e acredito que de ambos os lados. Trocamos olhares e sorrisos por horas, conversamos e ele até cantou uma música linda pra mim, que dizia algo como “procurei em todas as pessoas do mundo alguém como você…”. Poderia parecer xaveco furado e eu até pensei que fosse, mas com o passar dos dias eu vi que era verdade.
Trocamos telefone e eu o convidei para sair alguns dias depois. Ele disse que não podia porque tinha um jogo com os amigos. Eu também não tinha todo o tempo do mundo, afinal, havia combinado de ir para uma balada com minhas amigas. Então ele foi até o hotel em que eu estava hospedada. Assim que ele chegou, eu notei que ele era mais novo que eu. No trabalho, ele usa roupa social e aparenta ser mais velho do que é. Eu estranhei e perguntei a idade dele. A resposta me deixou meio sem chão: 21 anos. Eu tenho 28 e nunca saí com um cara tão mais novo assim. Mas, como eu achava que aquilo tudo era fogo de palha e, como eu estava viajando e queria mais era aproveitar, tasquei-lhe um beijo, ali na calçada do hotel, quando ele disse: “vamos subir?“. Eu hesitei porque nem sabia se podia entrar com alguém no quarto, mas fui.
Só tínhamos meia hora até que minhas amigas chegassem para me buscar, então eu avancei o sinal. Fui com tudo pra cima do menino até que ele me barrou: “você está indo rápido demais!”. “Mas nós só temos meia hora! Temos que ser rápidos!”, eu disse. Ele insistiu que não queria daquele jeito e eu não me importei. Então, veio a surpresa:
– Você já fez isso antes?
– Claro! – respondi.
– É a minha primeira vez.
Entrei em choque por alguns minutos e fiquei sem saber o que fazer. Então, agi como um homem e disse: “tudo bem… só vamos fazer o que você quiser”. Sem mais detalhes da minha insistência em “desvirginar” o garoto, quando estávamos quase lá, ele falou que achava que não queria mais. Perguntei se ele tinha certeza e ele afirmou: “estou esperando a mulher da minha vida, a pessoa com quem eu vou me casar”. Eu respeitei. Vesti minha roupa e pedi desculpas por ter insistido. No fundo, eu sempre tive a fantasia de iniciar um rapaz na vida sexual mas, com ele, tinha que ser especial. Ele merecia. Assim como não foi pra mim, mas como eu sonhei que fosse.
Continuamos nos vendo até o dia da minha partida. Na última noite, depois de beijos e abraços apertados, a declaração: “Lu, eu gosto muito de você e nunca vou te esquecer. Promete que nunca vai se esquecer de mim?”. Eu prometi. Assim como prometi que voltaria para encontrá-lo. E que ele seria meu namorado e que eu seria a primeira mulher da vida dele.
Quando voltei para o Brasil, ficamos dias trocando mensagens pelo celular e pelo Facebook. Promessas, juras e frases como “tudo o que eu preciso é de você” chegavam de madrugada pra mim. Até indiretas daquelas que amamos, como “sinto sua falta” e “meu coração pertence a você” postadas aleatoriamente, em inglês (para que eu pudesse entender), no Facebook. Meu coração disparava a cada sinal de mensagem no telefone. E já era rotina olhar o mural do perfil dele para saber se tinha mais alguma declaração pra mim.
Com o passar do tempo, fui postando as fotos da viagem em meu perfil do Facebook. Postei tudo: as fotos das baladas, as fotos dos outros caras que conheci… e a foto dele comigo.
Minha amiga comentou: “mal sabe ele que você ficou com outros, né? Haha”. Pensei “ele nunca vai se ligar. Não tem nenhuma foto comprometedora. São todos meus ‘amigos’, ué!”. Mas, aí, a partir do dia em que postei as fotos, ele parou de responder minhas mensagens no celular. Como ele havia comentado que estava trocando de aparelho, achei que talvez ele não estivesse recebendo o que eu mandava. E não me importei.
Foi aniversário dele e eu deixei uma mensagem de parabéns em seu mural. Ele não respondeu, mas também não respondeu a ninguém mais. Alguns dias depois, uma garota comentou no meu post na página dele: “aaaah, vocês combinam!”, em árabe. Fui responder e respondi errado. Ao invés de escrever “eu também acho”, escrevi “eu também” — que fique claro que eu não falo árabe. Ela, então, perguntou “você também o quê?” e, quando fui responder, eu havia sido excluída dos amigos dele.
Fiquei desesperada, sem entender o que estava acontecendo. Mandei um milhão de mensagens para ele e nada de resposta. No dia seguinte, ele postou, em árabe, no mural dele (que é aberto e eu ainda consigo ver): “Nessa vida, pessoas vêm e vão. Eu não machuco ninguém, nunca machuquei e hoje eu estou muito magoado. É melhor estar sozinho. Já me acostumei”. Uma amiga traduziu pra mim. E aquela garota estava lá nos comentários, dizendo “foi só mais uma, querido. Você vai ficar bem”. Meu coração se quebrou em pedacinhos.
#prontocaguei
Eu, que queria ser a pessoa mais especial da vida dele, acabei com toda a magia. Um garoto tão puro, tão amoroso, tão sincero, tão especial… Tentei me justificar, falei que aquilo foi antes de ficar com ele e que aqueles caras eram só amigos, que meu coração era dele etc etc etc, mas ele me ignora. Escrevo este texto com um grande nó em meu peito… Quando eu já pensava que não haviam meninos como ele no mundo, que todos os homens eram iguais e que eu deveria só me divertir… Acabei com tudo. E pra quê, né?
Beijo,




Então, quando vejo coisas como Lingerie Day, ou ensaios sensuais bombando na internet, não acho errado, muito menos acho que as gurias em questão são vadias, porque sei como todos aqueles comentários e homens babando fazem bem pro ego.








