Arquivos para a Categoria ‘Mas que filho da mãe!’

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Desculpas e bolos

02/05/2013

Luciana SabbagAté brinco com minhas amigas que sou a rainha dos bolos. Não os de chocolate nem os confeitados. Sou a rainha dos encontros desmarcados na última hora (quem nunca?). Ainda não entendi porque isso acontece, se a culpa é minha ou dos outros, mas aprendi a lidar com os furos de uma maneira mais tranquila. O mundo não acaba se o cara fura. Aceitemos, a vida continua.

Antigamente, quando eu tinha um encontro marcado, passava dias me preparando para tal. Comprava roupa, lingerie, marcava manicure, depiladora, cabeleireiro… Hoje já não me preocupo mais (tanto). Seja o encontro que for, com quem for.

Uma vez, contei aqui, que gastei R$ 800,00 para sair com um cara que me deixou esperando no sofá da sala pela eternidade. Falei para a minha chefe que eu precisava sair mais cedo do trabalho porque seria madrinha de um casamento, só para poder correr para o shopping e comprar uma roupa linda para sair à noite. Passei o resto da tarde no salão de beleza, me preparando para o tão esperado momento. Algum tempo antes da hora combinada, tomei um banho, me perfumei, fiz uma maquiagem incrível, vesti a lingerie nova, a roupa nova e sentei-me no sofá, onde fiquei imóvel, para não amassar nada. Havíamos combinado que ele passaria para me buscar às 20h. Às 20h30 ele ligou, afirmando estar no trabalho ainda e pedindo que eu o aguardasse telefonar novamente.

Esperei. O relógio marcava 22h e eu estava mordendo os lábios de ansiedade. Nada de ele me posicionar. Às 22h30 ele telefonou:

– Lu, ainda estou no trabalho, mas não vou demorar, prometo. Te ligo assim que sair daqui.

Ok, esperei. 23h, meia-noite, 1h… Às 2h da manhã eu já estava com câimbras de tanto ficar na mesma posição. Às 2h30 enviei-lhe uma mensagem: “Onde você está? Ainda demora?”. Não tive resposta. Às 3h da manhã, comecei a chorar e, como a maquiagem já estava ficando toda borrada, resolvi me “desmontar”. Este foi o meu primeiro grande bolo. Ele? Nunca mais ligou. Mas não morreu, não.

Outra vez eu passei duas semanas combinando um encontro com um cara que estava fora do Brasil. Ele dizia que não via a hora de voltar para me encontrar e eu, ansiosíssima, novamente fui ao shopping, comprei roupa, sapato… No dia marcado, algo me dizia que o encontro, que seria um almoço, não ia acontecer. De manhã, mandei mensagem por whatsapp perguntando se ele já estava no Brasil. Nenhuma resposta. À tarde, mandei outra. Nada.

Já era noite quando ele ficou online no Facebook. O bolo já havia sido dado e nada de ele se desculpar. Como eu já não aguentava ficar quieta olhando para o nome dele com a bolinha verde ao lado, falei: “aconteceu alguma coisa? Você sumiu, fiquei preocupada”.

– Nossa, Lu! Eu esqueci meu celular no táxi, a caminho do aeroporto, e só percebi quando cheguei no Brasil. Agora estou esperando meu amigo chegar para irmos até o shopping comprar outro telefone.

– Caramba, que chato! Então nós não vamos sair?

– Não, Lu. Preciso resolver esse negócio.

– Mas não podemos nos encontrar depois que você comprar o telefone?

– Pode ser, mas eu não sei quanto tempo vou demorar. Eu te ligo.

Como, obviamente, ele não ligou, fui a um bar com minha melhor amiga (ah! As melhores amigas salvadoras da pátria!) para chorar as pitangas e fazer valer o novo corte de cabelo, que eu havia adquirido horas antes no salão de beleza.

Esse tipo de coisa causa um sentimento tão ruim de, sei lá, desilusão… que dá vontade de bater na porta do fulano e gritar “escuta aqui, queridinho!”. É muito decepcionante ver que suas horas, investidas em se cuidar, se planejar ou mesmo em pensar no cara, foram jogadas no lixo. É um grande balde de água fria! Não importa a desculpa, o dano à nossa autoestima é o mesmo.

Hoje, se eu percebo que o fofo não está tão empolgado quanto eu, deixo para criar expectativas só depois que ele confirmar o encontro, no mesmo dia. Prefiro fazer tudo correndo a ficar me desgastando com antecedência.

Pode ser que eu me engane, claro. Há pouco tempo, por exemplo, eu tinha certeza que o cara ia furar. Acabei que nem fiz as unhas. Ele me ligou 2 horas antes, perguntando se o encontro estava de pé e não me restou outra coisa a fazer senão voar para o banheiro a fim de tentar tirar o atraso da beleza. Por incrível que pareça, consegui fazer mão, pé, esfoliação, hidratação, escova no cabelo e uma mega maquiagem a tempo de sair. Tá certo que eu deveria estar meio preparada (sempre), mas faço as unhas uma vez por semana e ele apareceu justamente na noite anterior ao dia em que tenho manicure. No fim, não criei grandes expectativas nem joguei meu tempo fora. E isso me deixou aliviada. Até porque agi da mesma maneira depois e, dessa vez, ele furou (como eu previa). Não sofri tanto porque não me preparei. Fiquei com raiva, é claro, mas pelo menos não gastei meu dinheiro nem meu precioso tempo em vão.

Fica aqui o meu conselho para você, mulher: não se desgaste. E, se eu puder dar um conselho aos homens, que seja “pelo amor de Deus, aconteça o que acontecer, não desmarquem a porra do encontro!”.

Beijos,

Lu

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Tem que ter coragem!

21/06/2010

Meu último relacionamento longo terminou há não muito tempo e durou mais de quatro anos. Inclusive, quando comecei a ler o AMDI ainda namorava, e nunca imaginei que esta história fosse estar aqui um dia. Éramos o casal perfeito, na minha cabeça, na dele e na de quem nos conhecia. Todos diziam que éramos feitos um para o outro e, ainda hoje encontro um ou outro desavisado do término, que sempre reage com incredulidade.

E mesmo nas poucas vezes em que eu pensei em término, sempre achei que seria uma atitude madura, respeitosa e amigável. Achei que seríamos como Ross e Rachel, de Friends, que viraram melhores amigos depois de terminar. Acontece que não foi bem assim e as coisas tomaram um rumo completamente oposto, por causa de um detalhezinho: coragem (ou a falta dela).

Para resumir, depois de alguns meses de término eu quis tentar de novo porque, pra mim, continuávamos sendo partes que se completavam, então, por que ficar separados, certo? Nessa fase de “renegociação” todo o contato foi por email. Quando eu insisti num encontro pessoalmente, as escusas foram das mais variadas até que, depois de uma certa insistência, recebi um email imensamente grosseiro, que encerrava de vez qualquer oportunidade de um encontro pra botar os pingos nos i’s (para o bem ou para o mal).

Nesse dia eu reforcei mais uma lição na minha vida: nunca faça pouco das pessoas que você ama, amou ou que de qualquer forma quer ou quis o bem. Ninguém é adivinho para saber o que passa na cabeça dos outros, e não existe forma mais digna de dizer o que deve ser dito que não seja olho no olho. Então comecei a pensar em todas as vezes em que esse ex tinha fugido de me olhar nos olhos, ou de tomar uma atitude e, inclusive no fim, quando ele simplesmente fugiu (não só de mim, mas da vidinha dele) para uma longa viagem. Cheguei à conclusão de que não faço questão de pessoas com tais atitudes.

Podem até dizer que esse é um post de vingança ou carregado de mágoa, mas nem é. Claro que a situação toda ainda incomoda de uma certa forma, mas não dói mais. Tá praticamente fechada. A grande lição que eu quero tentar passar com esse post é a de que sempre, todas as vezes em nossa vida, vale a pena encarar os fatos e não fugir deles. Quer dizer que ama, ou quer terminar porque não ama mais? Olhe nos olhos e diga. Twitter, MSN, telefone, SMS e outras ferramentas facilitam nossa vida, mas infelizmente ainda não traduzem emoção, nem personificam os nossos sentimentos. Seja com um amor, com um amigo, com alguém da família.

Pode até ser difícil na hora. Mas, com certeza, a ferida fechará mais rápido. E você ainda preserva a chance de manter uma amizade ou uma lembrança boa. No meu caso não ficou nenhum dos dois.

Até a próxima!

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O que acontece?

26/03/2010

Aconteceu comigo no último fim de semana e, desde então, estou me questionando. Foi assim: fui passear em Brasília e lá fui a um barzinho que costuma dar muito homem bonito e solteiro. Primeiro, meu azar: quase não tinha ninguém que despertasse meu interesse. Dos poucos que restaram, resolvi concentrar as minhas energias num coroa charmosão. Pouco cabelo, meio grisalho, mas para a idade que aparentava, um porte atlético e um olhar sedutor.

Na minha cabeça, estava tudo indo bem: estávamos sentados frente a frente e o colega não parava de me olhar. Eu, ao contrário do que possa parecer, sou extremamente tímida, do tipo que não consegue encarar a pessoa de quem está a fim por mais de três segundos. Eu dava umas olhadelas, de acordo com o que meu grau de rubor na face permitia e via que o cara não tirava o olho. Eu bebi mais e quanto mais álcool eu ingeria, mais tempo durava a nossa troca de olhares. Até que, decidida, o encarei por uns 10 segundos, sorri e acenei. Ele foi falar comigo e tudo terminou bem, certo?

Erradíssimo. O coroa continuou me encarando com o mesmo sorriso (que nessa hora, pra mim, passou a ser cínico) até eu ficar sem graça e desviar o olhar. Como eu sou bastante ressentida com esse tipo de coisa, fiz questão de sentar-me de costas pro malandro e nem olhar na direção em que ele estava, até ir embora. E essa situação altamente constrangedora me leva a um questionamento: o que acontece nas paqueras hoje em dia?

Podem me dizer que é um caso isolado, que eu entendi errado e que o cara não estava a fim de mim, mas tenho meus motivos pra acreditar que não foi bem assim. Até porque não foi a primeira vez que aconteceu. Aliás, ultimamente é assim: eu tenho que me aproximar e correr o risco de tomar um fora ou me dar bem. Não gosto disso. Gosto quando o homem toma atitude. Não precisa cortejar e seguir todo aquele esquema à moda antiga, mas me desestimula muito ser eu a pessoa a ter que agir primeiro.

Tanto que minha opção quase sempre é voltar pra casa sem ter ganho nenhum beijo, porque eu simplesmente me sinto mais confortável assim. Mas fico muito curiosa a respeito desse comportamento dos homens que, pra mim, é novidade. Alguém poderia me elucidar a charada?

Beijos e até a próxima!

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Porque me esnobas?

24/02/2010

Interpretei os seus sinais da forma como qualquer uma faria. Seus olhos fixos nos meus, seu sorriso quando ninguém estava perto, já que tudo entre nós deve ser um pouco escondido, para que não nos prejudicássemos.

Você me beijou, me tocou, mas foi rápido. Disse que em breve poderíamos dar vazão ao nosso desejo, pois a situação estava incontrolável. Suas mãos foram direto para o meu decote e sua boca colou na minha de um jeito que eu não sentia nos últimos anos.

Sim, o clima tava pegando fogo entre nós. Mas, como o tempo era mínimo, foi só uma ‘escapada’, resolvemos continuar outro dia. Nos despedimos aos beijos e com a frase “vou passar um dia todo colado em você”. Não preciso dizer que o tesão foi lá nas alturas, não é mesmo?

No outro dia, os olhares estavam ardentes. Sabe aquele olhar que te despe toda? Pois então, era esse. Não trocamos uma palavra sequer além do ‘bom dia’ habitual. Passaram-se 8 dias entre olhares e sorrisos, até que marcou uma ida ao shopping comigo.

Cheguei no dia e horário combinados e ele demorava a chegar. Liguei para o seu celular, para saber quanto tempo ainda levaria, uma vez que já havia passado 35 minutos do combinado. Eis a conversa:

Eu: Oi, que horas tu vais chegar?

Ele: Tô arrumando minhas coisas pra ir pra praia.

Eu: Ah, tu vais daqui pra praia. Entendi.

Ele: Não, Priscila. Eu vou agora pra praia.

Eu: Mas eu tô aqui te esperando…

Ele: Pois é, Pri. Não vai dar. Vou ter que ir pra praia agora. Volto daqui há alguns dias.

E eu? Me pergunte se eu entendi alguma coisa, caro leitor?

A pessoa marca comigo e simplesmente me esnoba… Se o cara ainda tivesse algum impedimento, fosse casado ou algo parecido com isso, eu entenderia. Mas não tem.

Desde então, ainda não nos falamos, mas a hora que vê-lo novamente, certamente não saberei como agir. Me senti humilhada, desprezada. Uma tola.

E passo meus dias me perguntando onde foi o meu #prontocaguei nesta história.

E você, já foi esnobado?

Me ajuda a contornar essa situação?

Um beijo.

Pri

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A volta dos que não foram

20/01/2010

Isso mesmo! A nossa vida sempre tem aquelas pessoas que passaram por ela mas que, por algum motivo, se distanciaram. Seja porque você quis que fosse assim ou porque a outrra pessoa te mandou passear. Ou ainda porque “foi bom para ambas as partes”, como diria Celso Russomano.

Algumas pessoas fazem questão de permanecer vivas em nossa memória. Seja por um cheiro, uma palavra, uma voz. Talvez seja necessário rever aqueles que “se foram” de nossas vidas, para termos a certeza de que a vida que estamos vivendo é, de fato, aquilo que buscamos e — quem sabe? — rolando um remember, tenhamos a certeza de que o passado está, enfim, morto. E enterrado.

Na minha vida têm acontecido momentos que me lembram um filme, daqueles de terror, meio misturados com comédia pastelão. E tem sido assim desde os meus 20 anos, quando conheci um homem de 38.  Tivemos um namoro conturbado e entre idas e vindas, acabamos seguindo rumos diferentes. Ele se casou antes de mim, com uma mulher mais velha que ele e que estava grávida enquanto eu segui meu noivado com meu atual marido.

Até aí, tudo normal. Nesses quase 7 anos, já troquei de número de celular uma centena de vezes, de trabalho, já mudei de endereço. Mas o incrível, é que o morto vivo sempre me acha. Volta e meia toca meu celular e ele diz que está com saudades, que quer me ver nem que seja para almoçar, tomar um café. Eu pergunto como ele descobriu meu telefone e ele diz que “tem seus meios”. Eu nem me espanto mais com isso, afinal, pouco me importa o que ele vai dizer.

Confesso que já me senti tentada a vê-lo novamente, principalmente nos momentos em que me sinto triste, carente. Afinal, que mulher não gosta de sentir-se desejada e querida?

Nesses 7 anos, o vi algumas vezes, mas há um bom tempo evito qualquer contato que não seja telefônico. Nossa “relação” é estranha. Há anos, a primeira ligação de Natal e Ano Novo que recebo é dele. O primeiro “parabéns pelo aniversário” também, por volta de meia noite e um do dia 16 de abril (meu aniversário), todos os anos.

Ele não se deixou esquecer, posso dizer assim. Ele é um morto vivo que sempre está ali, por perto. Já o vi passar na rua, já sabe meu endereço novo, o número dos meus dois celulares. Eu estou bem com a minha vida de casada. Finalmente pareço estar me acertando novamente com meu marido. Mas confesso que, mesmo sendo por um morto vivo, é muito bom saber que alguém se interessa por mim e que sequer me esquece.

Você também vive “A volta dos que não foram” de vez em quando?

Um beijo,

Pri

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Respeite o meu Natal

29/12/2009

Eu namorava um muçulmano. Tudo era lindo, maravilhoso, perfeito. Combinávamos em tudo, exceto na religião. E, por incrível que pareça, discutíamos e brigávamos feio por causa disso. Nas datas religiosas importantes para nós, um não compreendia o outro — ou fazia questão de não compreender.

Da mesma maneira que o mês do Ramadan (em que os muçulmanos ficam em jejum diariamente até o pôr-do-sol) era absurdamente irritante para mim, a Quaresma (período de penitência e oração para os cristãos) o deixava fulo da vida.

Não fazíamos sexo durante os 40 dias em que eu praticava a Quaresma e ele não me beijava até o anoitecer dos dias do Ramadan. Tudo bem, podem nos chamar de hipócritas, afinal, tanto na minha religião quanto na dele, deveríamos nos casar virgens. Mas não é isso que muda a nossa fé (e não quero discutir sobre isso — nem quero ofensas nos comentários, obrigada!).

Então, chegou o Natal. Eu não havia conversado com ele sobre como passaríamos nosso fim de ano por pura distração. Como ele sempre deixou claro que o Natal era uma data como outra qualquer e que não comemorava em nada, imaginei que ele não se importaria em estar comigo. Fui logo avisando a família que levaria o namorado.

No dia 24, perguntei se ele ceiaria conosco e ele disse que sim. Então, naquela noite, ele chegou à minha casa lá pelas 22h, com a roupa da academia (de onde ele tinha acabado de sair) e aquilo já me deu nos nervos. Todo mundo arrumadinho e eu com um namorado suado, de short?

Faz parte da tradição da minha família rezar antes da ceia. Levantamos e nos demos as mãos. O namorado fez questão de continuar sentado no sofá, saboreando os aperitivos. Mas o pior estava por vir: quando rezamos a “Ave Maria”, o bofe se levantou e saiu da sala.

Eu, chateadíssima pela falta de respeito dele para com a minha família, fui perguntar o que tinha acontecido.

– Olha, Lu… Ouvir vocês rezando pra Deus, ok. Mas pra Maria? Quem foi Maria? Ah, não! Não aguentei.

Fiquei mesmo muito, mas muito puta da vida, sendo que eu, pouco tempo antes, coloquei até um véu na cabeça para participar de uma festa muçulmana para qual ele me convidou. Eu participei da vida dele, mesmo não estando de acordo e ele age dessa maneira comigo?

E foi alí que eu me dei conta de que sem respeito, nós nunca conseguiríamos manter uma relação.

Lu

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É pra te comer!

17/12/2009

Sempre que meus amigos (homens) me pedem conselho sobre como proceder com uma mulher eu digo a mesma coisa: só prometa o que você puder cumprir e aja de acordo com seus sentimentos, mas sem se descuidar dos alheios. Transparência é importante em qualquer relacionamento. Por que eu digo isso? Para evitar algo que alguns homens ainda fazem hoje em dia: ser fofo só para comer a moça.

Poucas cafajestagens me irritam mais do que ver o cara vestir a camisa do príncipe quando só quer sexo. Além de ser um estelionato emocional, dá mil vezes mais trabalho para o indivíduo. Vou explicar a minha teoria:

Quando a moça vê que está com um cara fofo, estilão príncipe, ela vai pensar em relacionamento, fato. E já que quer se envolver seriamente com o cara vai buscar o melhor momento, a circunstância mais propícia, a conjunção astral que favoreça… Tudo para que dar para o cara seja ato confirmatório do relacionamento e culmine (ui) em envolver mais o casal. Isso pode levar MESES para se processar na cabeça de uma mulher. Enquanto isso, o príncipe-sapo vai precisar de paciência e mil SMSs, dez mil ligações, trezentos pequenos mimos, emails carinhosos, passeios de mãos dadas, idas ao shopping, nights sem fim… tudo isso para finalmente transar com a garota e poder desaparecer em paz.

Já o rapaz que deixa de plano claro que só quer sexo já vai encontrar a mocinha preparada para apenas dar, sem expectativa de relacionamento com ele, ou então ela vai pular fora logo se não for a dela. Acompanhe a matemática aqui: o sujeito poupou tempo e trabalho já podendo partir para outra se o objetivo for apenas transar mesmo. Se a mocinha der, de repente cogita e consegue estabelecer uma relação puramente sexual e transa outras vezes com o mesmo cara, transformando-o no que se apelida de “fuck buddy”. Olha só, um tremendo de um bônus ao rapaz que só queria sexo!

Digam-me: quem teve mais trabalho? Eu falo sem hesitar: o cara que resolveu ser fofo.

Analisando pelo lado da mocinha que transou com o babaca que bancou o “fofo pra te comer” a dor é muito profunda. Primeiro de tudo porque ela se sente A otária que não percebeu o “golpe”. Mas, principalmente, porque esses caras mexem com algo muito sério para uma mulher: a fantasia do príncipe. Ok, sabemos que esse tipo não existe, mas toda mulher, por mais durona que seja, sonha em encontrar o cara perfeito, dos seus sonhos e ser feliz para sempre. Aí então, quando tudo caminha bem no relacionamento, ali finalmente está o príncipe encantado, a mocinha resolve que está na hora de transar, faz isso e logo após o revela-se o sapo que some, não liga, não retorna. CLARO que dói demais e a incompreensão reina porque, afinal, tudo foi feito, estudado para que a relação se desenvolvesse bem. A reação do sapão não estava dentro de uma escala de probabilidades aguardada. Eu brinco sempre que existe o filho da puta e o babaca. O primeiro surpreende com a ação, já o segundo faz exatamente o que se esperava. O cara que banca o “fofo para te comer” é exatamente o filho da puta, porque brinca com sentimentos e sonhos alheios ao invés de agir com clareza de intenções.

O fato é que os homens andam se borrando de medo de relacionamento e alguns correm quando vêem que a relação está ficando séria. Não querem se envolver ou têm medo de compromisso. Amigo, se esse é o seu caso, deixe claro que só quer sexo ou, ainda melhor, relacione-se com árvores e não encha o saco, nem alimente falsas esperanças de pessoas. Não faça o que não gostaria que fizessem com você — clichê fundamental nas relações humanas.

Nas palavras de Alice Ruiz: “Por favor não me aperte tanto assim, tenha cuidado, pega leve. Olha onde pisa, isso é meu coração.”

Palavra da leitora

(Por Scarlet)

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Virou sapo

26/11/2009

Eu e o Marcelo* nos conhecemos em uma comunidade do Orkut, que falava sobre teatro. Criei um tópico sobre um teste de uma peça que eu estava fazendo, para a qual procurávamos atores exatamente do “tipo” dele. Trocamos contato, conversamos sobre o texto… Achei o bofe simpaticíssimo, com ótima articulação, linda voz, além de muito bonito nas fotos. Só que havia um problema: eu e o resto do elenco éramos de São Paulo enquanto ele, do Rio de Janeiro. Marcelo afirmou que isso não era um obstáculo e que ele poderia muito bem morar em “Sampa” — inclusive, já tinha morado por um tempo.

O diretor da peça achou que Marcelo era muito velho para o personagem (um garoto de vinte e poucos anos), já que tinha mais de trinta. Por isso, Marcelo acabou nem participando do teste. Ainda assim, mantivemos contato: nos falávamos quase todos os dias por MSN e ele me ligava umas três vezes por semana.

Depois de alguns meses, acabei me apaixonando. E ele também. Começaram as ligações melosas, os planos, as declarações, os corações disparados…

Já que eu visito o Rio de Janeiro constantemente, resolvi viajar para conhecer o gato. Marcamos de nos encontrarmos em um restaurante na Barra da Tijuca. Cheguei antes (encontro assim, é melhor você ver o cara chegando, pra dar tempo de sair correndo se for o caso) e fiquei esperando pelo cara em uma mesinha do lado de fora.

Ele me ligou, dizendo que já tinha chegado e perguntou onde eu estava. Foi então que vi um cara de costas, falando ao celular. Fui em frente e dei uma cutucadinha nas costas dele. Quando Marcelo se virou, nos olhamos nos olhos, sorrimos e nos abraçamos muito forte. Fomos nos separar do abraço e ele me beijou.

Passamos o final de semana juntos, nos amando, nos curtindo e fazendo planos para o futuro.

Voltei para São Paulo e nossas conversas ficaram cada vez mais apaixonadas. Ele falava até em casamento. Falava em filhos, Brasil! Dizia que queria uma menininha que fosse a minha cara…

Foi tudo muito forte, muito intenso. Dias depois ele veio para São Paulo. Nos encontramos, ficamos juntos…

Quando começamos a namorar, começou o desentendimento. Ele achava que mandava em mim mesmo à distância, queria controlar todos os meus passos. Me vigiava na internet, perguntava quem era tal pessoa que tinha me deixado um “scrap”, brigava comigo por algum recado que deixei para alguma pessoa… As coisas começaram a ficar tensas. Mesmo assim, eu estava apaixonada — e cega.

Certa vez, ele veio para São Paulo e marcou de me buscar em casa às 21h. Era quase meia-noite e ele não tinha aparecido. Eu já estava preocupada. Liguei para o celular dele umas dez vezes e só chamava. Fiquei nervosa e fui me deitar. Lá pelas 2h da manhã ele me liga, dizendo que não podia atender o telefone e que eu não tinha respeito por ele. A desculpa era de que um amigo tinha passado mal e ele tivera de levá-lo ao hospital. Perguntei porque ele não tinha me avisado e começamos a discutir feio. Ele gritava comigo, dizendo que não tinha que me dar satisfação de nada, que estava indo para a minha casa e queria que eu estivesse pronta em dez minutos.

– Agora eu não vou sair mais! Já estou deitada!

– Vai sim!!! Vou te esperar na portaria!

– Não vou, Marcelo. Tá tarde!

Entre gritos e berros, desligamos o telefone.

Chorei, morri de ódio… Mas caí na realidade: com certeza, se tivéssemos discutido assim pessoalmente, ele teria me batido. Aí lembrei do quão estúpido ele era na cama. Aquilo não era só uma fantasia sexual masculina de “mandar” na mulher, não. Ele era MESMO um cara violento! Ainda bem que a máscara caiu logo. Eu achava o cara perfeito: romântico, educado, inteligente… Mas é porque eu não o conhecia de verdade.

Não nos falamos por três anos. Hoje, quando comecei a escrever esse post, ele me chamou no MSN (oi?). Falamos amenidades e eu inventei que estou namorando. Aproveitando a deixa, ele contou que se casou e que vai ser pai.

É… Ainda bem que não foi comigo!

Lu

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São Jorge, por favor, me empresta o dragão?

29/09/2009

Priscila Von MühlenAs coisas acontecem de maneira engraçada na vida da gente. Conhecemos pessoas que são figuras raras de se ver. Assim, era Carlos*, um rapaz de trinta e poucos anos que conheci.

Eu e minha amiga Larissa fomos encontrá-lo. Já havíamos visto Carlos por fotos e sabíamos mais ou menos o que e quem encontrar. Lá pelas 18h avistamos, no shopping, um sujeito que todo mundo olhava. Ele vestia camisa social com vários botões abertos (no melhor estilo bicheiro), cordão dourado de São Jorge no pescoço, calça jeans super justa e tênis. Não sou nenhuma personal stylist, mas não gostei da combinação.

Para nossa total surpresa, ele nos avistou e disse: “Olá meninas, eu sou Carlos”. E aí, todo o shopping passou a nos olhar, por estarmos na companhia do moço. Tudo bem, ele era super legal e o que importava, até então, era a pessoa. Mas, aos poucos, notamos mais algumas coisas…

Carlos só falava em raves, baladas e afins. O vocabulário? Bem… cheio de gírias e cada palavra que ele dizia, em voz alta e escandalosa, olhava para os lados para ver se alguém estava pretsando atenção no que ele dizia. Postura é uma coisa que ele não tinha, sentado com as pernas abertas e quase que deitado na cadeira, tomava um Red Bull, como se estivesse bebendo o whisky mais caro do lugar.

Cansadas de pagar mico, eu e Larissa pedimos para sair do lugar. Como estávamos andando de ônibus, aceitamos a carona até um bar próximo. Lá se foi Carlos até seu carro no estacionamento, e com o mesmo exibicionismo cafona, olhava para os lados para ver se as pessoas olhavam duas moças entrando no carro dele. O que eu mais queria naquela hora era que ninguém nos visse…

Carlos queixava-se de estar solteiro mas, olhando suas atitudes, seus modos à mesa, seu vocabulário, suas atividades, dava para entender perfeitamente o motivo: ele espantava as pretendentes.

Mulher não quer só homem bonito, limpinho, malhado, perfumado. Mulher quer ter com quem conversar depois da transa, quer ter alguém para poder rir das coisas da vida, alguém que se preocupe com ela e não só com seu umbigo na barriga de tanquinho (ou de chopp).

Além do mais, mulher também não quer sair com um homem que usa 4 botões da camisa aberta e deixa metade do peito aparecendo e com cordão cafona no pescoço.

Resultado do passeio: Eu e Larissa deixamos o ‘zé mané’ no bar e preferimos ir sozinhas pra casa, ao invés da companhia desagradável do novo amigo do Twitter. Nesse caso, nem clamando por São Jorge , dava pra matar o dragão… Que fique bem claro: ele não era feio, mas seu comportamento, o pior possível!

Um beijo,

Pri

Próximo!

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Mentiras na internet

11/08/2009

Priscila SeveroAntes dessa febre de Twitter, Facebook, Orkut e afins, eu já curtia ficar hoooras na internet. Lembro-me de viver nas salas de bate-papo do Terra. Ocasionalmente, conversava com alguém e até trocava telefones. Mas, até então, não havia passado disso.

Conheci um rapaz chamado Marcelo e gostei da conversa virtual. Dei a ele o número do meu celular. Ele começou a me ligar diariamente e sempre rolavam aquelas perguntas de praxe : “Como você é? Loira ou  morena? Baixa ou alta?” etc… Eu fazia os mesmos questionamentos, mas ele titubeava em responder. Não liguei pois, afinal, eu aprendi que não devemos nos prender à aparência de ninguém, porque o tempo passa para todos e com algumas pessoas ele é implacável.

Eu nunca menti sobre minha aparência, até porque eu não ia fazer nenhuma plástica até o dia que me conhecesse, então, o melhor era dizer a real mesmo. Um dia, ele resolveu falar sobre ele. Disse que era alto, que praticava exercícios, que era moreno e bronzeado. Bah, pensei que era um gatão, pelas características que descreveu.

Resolvi marcar  o encontro em um shopping bem movimentado. Naquela época era meio incomum conhecer algum contato virtual. Tinha medo de que ele fosse  “do mal”. Além de suas características físicas, ele havia me dito que era bombeiro e que tinha 32 anos. Fiquei meio “assim”, afinal, eu devia ter uns 19 — mas fui ao shopping.

Cheguei lá 5 minutos antes do horário combinado, com a roupa que disse que estaria. E estava esperando um moço alto chegar, de camiseta vermelha, conforme havia me dito. Ele demorou, mas me avisou do atraso. Ok, a expectativa aumentava a cada minuto que se passava.

Dali a pouco, um rapaz bate no meu ombro  e me pergunta se sou a Priscila. Obviamente respondi que sim e ele se aprenta como o Marcelo da internet. G-E-N-T-E ele mentiu tudo sobre ele. Tudo! Era baixinho e gordinho, tinha cabelos pretos, mas branco como um papel e estava com uma camiseta preta.

Na hora, a conversa já mudou, pois, se alguém mente tanto sobre sua aparência — que é algo que não daria para esconder — não merece minha confiança. Ele tentou conversar, mas sequer desculpou-se pelas mentiras sobre seu visual.

Confesso que não prestei atenção em mais nenhuma palavra.  Ele tinha uma cara de tarado e queria que eu entrasse no carro dele para irmos a outro shopping.  Sabe o que eu fiz? Fiquei uns 10 minutos e pedi  licença para ir ao banheiro. Lá, perguntei a uma moça que trabalhava no shopping onde era a saída de emergência e saí do shopping.

Quando eu estava no estacionamento, ele começou a me ligar desesperadamente e eu não atendi. Jamais atendi ele outra vez ao telefone.

Ficou a lição de não acreditar cem por cento em tudo que me falam na internet e sobretudo, de não mentir sobre mim para ninguém. Querendo ou não, o outro sempre cria expectativas e desapontar alguém assim é certamente a pior forma de começar uma amizade. Se a pessoa mente sobre o seu corpo que está  à mostra, que  mentiras contará sobre seus sentimentos que não são vistos por ninguém?

Depois disso, conheci algumas pessoas pela internet, mas nenhuma delas mentiu sobre como eram. Eu também.

Qualquer relacionamento — seja de amizade ou paquera — se já começa com mentiras, não deve nem continuar.

E alguém já mentiu sobre a aparência para você também?

Beijo,

Pri

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