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O dia de Natal

22/12/2009

Namorava o Lucas, mesma idade, mesmos sonhos… Eu já estava farto da noite de Natal na casa da minha avó. É, por mais que seja lindo e tudo mais, todo mundo está careca de saber que reuniões de família são um pé no saco e tem gente (milhares de pessoas e eu incluso, óbvio) que não curte esse tipo de coisa.

A véspera eu precisava passar na casa da minha avó, mas o almoço de Natal estava livre para passear e curtir o namorado. Cinema era uma pedida, né? Quem, eu pergunto, não gostaria de ter um cinema inteiro só para você e seu amor aproveitarem e fazerem o que quiserem(hahahaha! Mentes poluídas!)? Pois é. Eu quis porque, justo naquele feriado, nenhuma sala estaria aberta. O jeito era romper uma barreira e ir para casa dele — na verdade, da tia dele — e curtir mais um almoço de Natal em família. Um dos únicos “não em família” que passei até hoje.

Eu já conhecia o pai do Lucas e, portanto, ele já sabia da “nossa amizade”, que andávamos muito juntos e tudo mais. Era a primeira vez que conheceria o resto da família e meio apreensivo fiquei, afinal, mesmo não tendo problemas com o pai dele (a mãe havia morrido alguns anos antes) era estranho você levar um ‘amigo’ para o almoço de natal e não uma namorada, certo?

Chegamos e a estranheza nem foi tanta, visto que a família dele é bem reduzida: pai, tia, marido da tia, dois primos da mesma idade que a gente – um rapaz e uma moça, essa com namorado – e o um cachorro Beagle. A conversa transcorria básica e no tom “certo”, acho eu. “Qual seu nome? O que faz da vida? Por que não está com a sua família hoje?” etc etc. Até que os “adultos” passaram para a varanda para apreciar o “café” e os “jovens” ficaram na sala vendo TV, no computador ou simplesmente esperando o tempo passar. Eis que o golpe de misericórdia é dado pelo namorado da prima:

– Então, desde quando vocês tão juntos?

– OI?

E foi com naturalidade que Lucas falou:

– Há 1 ano e meio.

Foi com mais naturalidade ainda que o primo disse:

– É teu namorado mais longo, né?

Eu fiquei sem entender. Ao contrário de mim, que sempre fui “o que todo mundo sabia, mas jurava que ninguém desconfiava”, Lucas tinha uma relação bem mais madura com o “seu eu, gay”. Os tios e o pai não gostavam muito de mencionar, mas aceitavam numa boa. Depois descobri que eu era a segunda pessoa que ele levava em casa e que eles haviam sido avisados de que um “amigo” iria para o almoço com algumas semanas de antecedência.

Aprendi com essa que a naturalidade das coisas, ou o “ficar preocupado em esconder determinados assuntos” é irrelevante. Sua família já manja de você, mesmo você escondendo o seu verdadeiro “eu” e que, você pode se surpreender com a reação de todos se resolver contar.

Um feliz Natal e um próspero Ano Novo a todos os leitores do A melhor das Intenções!

Palavra de gay

(Metheoro -  http://www.twitter.com/metheoro)

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Que me adora

15/10/2009

MetheoroPitty nem é uma das minhas cantoras preferidas, sabe? Na verdade, desde que ela saiu do Inkoma (a qual eu conhecia por, sei lá, vivenciar o “under” durante algum tempo da minha vida), não acho muita graça nas coisas que ela faz…

Mas (sempre existe um, né?) uma das novas músicas (que falam das mesmas coisas) dela me chamou a atenção. Sinta o drama do refrão:

“… Que você me adora

Que me acha foda

Não espere eu ir embora pra perceber

Que você me adora

Que me acha foda

Não espere eu ir embora pra perceber…”

Entrando no assunto discutido no blog: que atire a primeira pedra quem nunca viveu uma história assim.

Seja você gay, hétero, católico, budista, etc etc etc… Como sou pago (cof cof cof) para falar do ponto de vista homossexual, mostro para vocês uma coisa. Convivemos, nós gays, com dois tipos de situações extremamente chatas: a mentira — assunto que tratarei em um outro post — e a carência.

Ok, carência é comum em todas, exatamente todas as orientações sexuais mas, com os gays, isso é mais… bem mais!

Primeiro por que temos, nesse raio de mundo cor-de-rosa gay, uma coisa abominável chamada CARÃO, que seria a boa e velha pose.

Pessoa X (seja homem ou mulher) chega na boate X (mais comum naquelas onde os caras tiram a camisa e ficam mostrando tóraxes trabalhados horas a fio em academias). Muitos adimiram, alguns tentam chegar perto; todos são rejeitados; a princesa (ou “Barbie”) toma um drink ou dois, e às 3h volta pra casa (pode até antes catar alguém na rua e levar — e viva os michês).

O mundo é dos esteriótipos, e o esteriótipo de “SOU INDEPENDENTE E FERVO MUITO NA NOITE” não passa de uma fachada.

As fervidas, as Barbies, os saradões, os ursos, os bem resolvidos, os mal resolvidos… Está pra nascer raça/classe mais carente que a gay, e por favor, não me venham dizer que vocês não são por que isso é a pura mentira! Tão aí namoros relâmpagos, casamentos relâmpagos e amores pra vida toda que não nos deixam mentir. O grande problema é quando você se mete numa história (por carência ou afeto extremados) e a pessoa por quem você está “PERDIDAMENTE APAIXONADO” (olha, sugiro parar de assistir Grey’s Anatomy e Desperate Housewives, certo?) não te dá bola… daí você chora, você se desespera, você até se descabela e faz loucuras.

O tempo passa, ou como falei no outro post, tudo se resolve. Mas daí ‘carapálidas’, passam dias, semanas, meses… anos até. E a pessoa aparece do nada e diz exatamente o que a Pitty fala no refrão de sua música chiclete:

“QUE VOCÊ ME ADORA!

QUE ME ACHA FODA!”

Daí, ja é tarde… Ou era — cabe apenas a você, agora que virou o jogo, dizer “sim” ou “não”.

*O clipe dessa música, como é regra na maioria dos clipes da Pitty, é muito bom. Confiram:

Palavra de gay

(Metheoro – http://twitter.com/metheoro)

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Um dia tudo se resolve

30/09/2009

MetheoroQuando você descobre (ou finalmente consegue aceitar) que gosta de alguém do mesmo sexo, um misto de emoções se encontram: felicidade, medo, angústia etc. Se essa descoberta/aceitação acontece quando você ainda mora com seus pais, então, é um Deus nos acuda! Porque, convenhamos, todos os pais e mães desse Brasil, sonham com uma vida de ouro para seus filhinhos: casamento perfeito, casinha branca com cerquinha, filhos e um trabalho bacana.

Todo pai quer ter o filho jogador de futebol (mesmo que de várzea), pegador das menininhas e o mais popular da escola. Toda mãe quer ter a filha com vestidinho rosa (sendo independente também), estudiosa, aplicada e que namore com rapazes direitos e honestos.

E quando a gente não atende a essas expectativas? E quando começa a pressão para saber porque você não tem namorada? Por que você só anda com aquele bando de amigas, ou com aquela amiga especial, pra cima e pra baixo? É normal, é comum, é do ser humano ficar encanado com isso, alguns ficam encanados para sempre — a ponto de nunca sairem do armário. Agora uma dica meu amor: Nárnia, o mundo encantado dentro do armário, é só um faz-de-conta embolorado. Tem hora que o mofo do armário cansa e, se você não tem aquela estrutura psicológica, cai.

Não, queridos leitores, não estou dizendo que o bom mesmo é sair por aí se assumindo, sair vestido de arco-íris e fazer showzinho (agarração e pegação) no meio da rua, porque até para os héteros isso é feio e meio disgusting. Estou falando que o bom da vida — ou da sua vida — é você não encanar muito com o “medo” da sociedade. Porque olha, no final das contas, quem sabe da sua vida é você e, PRINCIPALMENTE, quem paga suas contas é você (ou seu marido/namorado).

Lembro muito bem de um papinho que tive com meu primeiro boyfriend, aquele que durou 3 anos:

Ele: A gente tem que se importar com as pessoas, sim, porque a gente vive em sociedade.

Eu: Sim, mas tudo tem limite. Todo mundo tem privacidade, todo mundo tem seus próprios problemas, a gente não pode viver o tempo todo na ‘redoma’, mas ela tem que existir.

Ele: É, acho que sim.

Eu: É, sabe por quê? Porque a gente, muitas vezes, se estressa com uma besteira do tipo “fulana não pode saber de jeito nenhum sobre mim. Vai ser o fim!” e, no final, fulana já sabia há muito tempo. Tudo já estava resolvido.

Ele: É, um dia, tudo se resolve.

E se você está em dúvida sobre aquele relacionamento/caso/ rolo… ou se simplesmente deve ou não contar pra seus pais ou amigos sobre você, saiba: tudo se resolve mesmo! Até quando a gente não espera.

Palavra de gay

(Metheoro – http://twitter.com/metheoro)

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