Namorava o Lucas, mesma idade, mesmos sonhos… Eu já estava farto da noite de Natal na casa da minha avó. É, por mais que seja lindo e tudo mais, todo mundo está careca de saber que reuniões de família são um pé no saco e tem gente (milhares de pessoas e eu incluso, óbvio) que não curte esse tipo de coisa.
A véspera eu precisava passar na casa da minha avó, mas o almoço de Natal estava livre para passear e curtir o namorado. Cinema era uma pedida, né? Quem, eu pergunto, não gostaria de ter um cinema inteiro só para você e seu amor aproveitarem e fazerem o que quiserem(hahahaha! Mentes poluídas!)? Pois é. Eu quis porque, justo naquele feriado, nenhuma sala estaria aberta. O jeito era romper uma barreira e ir para casa dele — na verdade, da tia dele — e curtir mais um almoço de Natal em família. Um dos únicos “não em família” que passei até hoje.
Eu já conhecia o pai do Lucas e, portanto, ele já sabia da “nossa amizade”, que andávamos muito juntos e tudo mais. Era a primeira vez que conheceria o resto da família e meio apreensivo fiquei, afinal, mesmo não tendo problemas com o pai dele (a mãe havia morrido alguns anos antes) era estranho você levar um ‘amigo’ para o almoço de natal e não uma namorada, certo?
Chegamos e a estranheza nem foi tanta, visto que a família dele é bem reduzida: pai, tia, marido da tia, dois primos da mesma idade que a gente – um rapaz e uma moça, essa com namorado – e o um cachorro Beagle. A conversa transcorria básica e no tom “certo”, acho eu. “Qual seu nome? O que faz da vida? Por que não está com a sua família hoje?” etc etc. Até que os “adultos” passaram para a varanda para apreciar o “café” e os “jovens” ficaram na sala vendo TV, no computador ou simplesmente esperando o tempo passar. Eis que o golpe de misericórdia é dado pelo namorado da prima:
– Então, desde quando vocês tão juntos?
– OI?
E foi com naturalidade que Lucas falou:
– Há 1 ano e meio.
Foi com mais naturalidade ainda que o primo disse:
– É teu namorado mais longo, né?
Eu fiquei sem entender. Ao contrário de mim, que sempre fui “o que todo mundo sabia, mas jurava que ninguém desconfiava”, Lucas tinha uma relação bem mais madura com o “seu eu, gay”. Os tios e o pai não gostavam muito de mencionar, mas aceitavam numa boa. Depois descobri que eu era a segunda pessoa que ele levava em casa e que eles haviam sido avisados de que um “amigo” iria para o almoço com algumas semanas de antecedência.
Aprendi com essa que a naturalidade das coisas, ou o “ficar preocupado em esconder determinados assuntos” é irrelevante. Sua família já manja de você, mesmo você escondendo o seu verdadeiro “eu” e que, você pode se surpreender com a reação de todos se resolver contar.
Um feliz Natal e um próspero Ano Novo a todos os leitores do A melhor das Intenções!
(Metheoro - http://www.twitter.com/metheoro)









