Primeiramente, gostaria de dizer que este post é um divisor de águas. Mãe, quando a senhora ler as linhas abaixo, não julgue mal a filha que a senhora criou tão bem. Ainda continuo a mesma, mas com alguns aprendizados a mais. E que aprendizados, diga-se de passagem.
Em segundo, o assunto, como já ficou BEM claro, fugirá ao perfil romântico e poético do blog.
Não se assuste, caro leitor. Isso não significa que deixei de ser a Menina dos Olhos, romântica por natureza. E quem disse que romantismo não combina com sexo?
Por último, não sou uma conselheira sexual. Estou longe disso. Mas, vamos lá. A inspiração para esse devaneio veio de uma conversa que tive voltando para casa com dois amigos de trabalho, que de repente começou a ficar picante. Sexo em pauta: posições, tamanhos, calcinha molhada, e por aí vai. Um deles – homem por sinal – fala para mim algo mais ou menos assim:
− Se você não estivesse aqui, o assunto não estaria tão quente. Você nos inspira a falar de sexo!
Pronto, foi o bastante para me sentir uma depravada, piriguete, Ariadna, fogosa e adjacentes. Aí a amiga que estava dirigindo o carro de repente pergunta:
− Você já testou alguma posição exótica?
Aí torou a paca, conforme o dialeto turvanês. Senti-me a experiente, a sabe tudo, para não dizer uma profissional do sexo. Que vergonha fiquei de mim. Senta lá, Cláudia! Por que perguntar isso logo pra mim? Era mais fácil perguntar para o outro amigo, que com certeza, tem muita mais experiência de vida do que eu.
Confesso: eu peco por excesso. Não por falar demais, mas por não ter vergonha nenhuma de expor o que sinto com quem acho que mereça minha confiança. E se tem uma coisa na vida que eu tenho certeza atualmente é que eu gosto de sexo. Eu amo sexo. Gente, como sexo me faz bem. Quem não me conhece, vai se assustar. Quem convive, já tá cansado de saber disso, pois não tenho nenhum pudor em dizer, só para minha mãe, é claro.
Vai fingir que você também não gosta e talvez até mais do que eu? O que me intriga é o fato de as pessoas terem tanto medo de falar de uma das poucas coisas do mundo que nos fazem esquecer os nossos problemas, relaxar, ir ao céu, sentir-se satisfeito.
É claro que há pessoas e lugares certos para discutir a questão, mas quem disse que falar de sexo é fora dos padrões? Por que mulher deve expor suas intimidades só para as mulheres e os homens, só em clubes do bolinha? Pergunto mais: por que relacionar sexo só a pornografia, orgia, depravação, pobreza de espírito, falta de Deus, anti-religião, enfim, pecado? O mundo de hoje já não comporta tanta caretice.
Não acredito que Deus, em sua infinita sabedoria, teria nos permitido sentir algo tão maravilhoso, a ponto de ser inexplicável, para depois nos julgar como pecadores. E se não é pecado, erro, burrice, por que fingir que você não faz, que não tem desejos ou fantasias a serem realizadas?
Ter uma vida sexual ativa faz bem para saúde do corpo, mas principalmente, da alma. Como é bom sentir-se desejada, querida, e ao final de uma relação, ofegar como a demonstrar que aqueles últimos segundos foram ímpares. Claro que tudo requer uma dose de responsabilidade para não virar bagunça. Mesmo assim, uma aventura de vez em quando é muito bem-vinda, afinal, é possível aprender até com os erros.
Pode até parecer que as minhas palavras soem como falta de romantismo. Longe disso. Não nasci para ser amante. Fui criada para ser amada. E ainda espero encontrar aquela pessoa preparada para seguir comigo até o resto dessa vida. A cada dia que passo, sinto que o dia do encontro está mais próximo, isso se ele já não aconteceu sem que eu me atentasse para o fato. Vai saber.
Não pensei assim a vida inteira. Depois de uns certos tropeços, percebi que sexo, mesmo sem amor, pode ser mais que um prazer momentâneo. Pode se transformar numa lembrança inesquecível, seja com namorado, amigo, PA ou com aquela pessoa que você mal conhece.
Não tive muitas relações. Por mais incrível que possa parecer, sei exatamente com quantas pessoas cheguei a tal ponto de intimidade. Eternizei cada segundo, cada detalhe, cada gesto, cada olhar, cada toque. Não foi simplesmente ficar. Foi um ato para toda a vida.
Enfatizo: não tenho pudores para falar nada do que penso. Sempre acreditei que a sinceridade está entre as qualidades mais preciosas de uma pessoa. Posso até ser taxada de maliciosa, inconveniente, pervertida, foda-se. Quem me conhece sabe que, no fundo, sou uma menina sonhadora, de imaginação fértil e que não mede esforços para encontrar a felicidade e deixar feliz quem está à minha volta.
Se alguém que está lendo esse texto acha isso, por favor, seja corajoso o suficiente para chegar em mim e dizer que sexo não deve ser assunto de nossas conversas. Saberei entender perfeitamente. Caso o contrário, bem-vindo ao clube dos que acreditam que sexo é bem mais que uma busca por prazer. É uma necessidade.
P.S. Não me venham com depoimentos com propostas indecentes. Não é porque gosto de sexo que não seleciono.
(Por Wanessa Almeida –
http://wanessadealmeida.
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