Arquivos para a Categoria ‘A culpa foi dele!’

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Busque conhecimento

21/02/2011
Dentre as muitas coisas que me irritam, há aquele tom de acusação que algumas pessoas usam para dizer que você é muito exigente e por isso está solteira. 

Eu sempre segui o provérbio “antes só do que mal acompanhada” e nunca fui de aceitar qualquer companhia, somente pela companhia. Então, acreditem, eu já ouvi isso MUITAS vezes.

O que essas pessoas não compreendem é que, conforme o tempo vai passando e nós vamos seguindo o sábio conselho do ET Bilu, não é qualquer pessoa que é compatível. E se compatibilidade não fosse importante num relacionamento, não haveria tantos divórcios por “incompatibilidade de gênios”.

Quando eu estava no terceiro semestre da faculdade, fiz uns bicos com eventos e conheci um DJ (é, podem rir) simpático e divertido. Poucos dias depois, começamos a ficar e no começo foi bem legal.

Só que com o passar do tempo – ficamos por mais ou menos dois meses – comecei a notar que tava faltando alguma coisa. Por mais que eu enumerasse as qualidades do moço, não conseguia me apaixonar por ele.

A resposta veio na forma mais inesperada: em nossas conversas, ele sempre reclamava muito do trabalho nada estável de DJ e dizia que o sonho dele era trabalhar como técnico de rádio. Ele adorava aquela coisa toda de controlar o som, gravar vinhetas, montar o programa com o locutor, enfim… E um dia, só pela experiência que ele tinha como DJ, ele conseguiu justamente isso em uma das rádio da cidade onde moramos. Puxa, eu fiquei muito feliz, super comemoramos, com direito a brinde de milk shake de ovomaltine.

Se ele não tivesse pedido demissão duas semanas depois.

Quando ele me contou, fiquei passada. É claro que perguntei: “Mas por quê?”. E, para minha mais completa surpresa, ele me respondeu: “Porque eu não gosto de música sertaneja.”

Olha, nada contra o gosto das pessoas, não vamos entrar nesse aspecto do assunto. Mas, poxa vida! Ele estava empregado, fazendo o que ele mais gostava, no tipo de empresa que sempre sonhou! Ninguém está dizendo que ele deveria ficar lá pra sempre. Mas ele não tinha nenhuma experiência com rádio. Era a oportunidade de aprendizado que surgiu. E depois de acrescentar isso ao currículo, ele poderia arriscar outras empresas que se enquadrassem no gosto pessoal dele, certo?

Foi aí que eu entendi o que faltava nele: ambição.

Eu sou ambiciosa. Eu tenho os meus sonhos, quero crescer e estou sempre buscando mais. E quando minha preguiça, que é tipo item de série, me faz beijar a lona, fico deprimida me sentindo a mais completa inútil.

Como eu poderia me apaixonar por alguém acomodado desse jeito? (Vale esclarecer que não considero ambição um defeito. Ganância sim. A diferença? O Mickey é ambicioso. O Tio Patinhas é ganancioso. Pronto. Esclarecido.)

O mais engraçado foi que, no final do nosso relacionamento, cada vez que eu contava algo sobre a faculdade, ele começava a desmerecer meu esforço, chegando ao ponto de dizer que eu era ingênua por me empenhar tanto e que, no fim, aquilo tudo ia valer PN.

Não deu. A coisa foi esfriando, esfriando e resolvi pular fora. Tentei explicar o motivo, mas ele não foi capaz de compreender quando eu disse que “não poderia ficar com alguém que, quando eu buscasse evoluir, ficasse pra trás, dentro da própria zona de conforto”. Só depois do fora, que descobri que nem o colégio ele tinha concluído. Poxa vida, né? E ainda dispensa o trabalho que conseguiu, APESAR DE TUDO ISSO!

Então eu estudo a maior parte dos meus 22 longos e sofridos anos, viro estatística me tornando parte dos 10,6% que concluíram ensino superior no Brasil e não posso querer alguém no mínimo graduado, porque caso contrário estarei sendo exigente?

Olha, já ouvi MULHERES defendendo o antigo costume de não deixar as moças estudarem, porque isso as tornava seletivas e fadadas à solidão. Alguém pode até concordar e dizer “Ué! Prova disso é esse tanto de mulher que ficou pra titia, hoje em dia. Não deixam de ter razão, né?”

É, pode até ser.

Mas eu prefiro entender que a busca pelo conhecimento nos fez descobrir que não precisamos nos amarrar a qualquer traste, só pra ter quem nos sustente.

Deka

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Sobre palavras e gestos

04/01/2011

Uma das melhores (se não a melhor das) lições que aprendi nos quatro anos de Comunicação Social foi que tudo comunica e não só aquilo que você anuncia.
Tratando-se de marketing, na propaganda vai aquilo que você quer que o seu consumidor saiba ao seu respeito. Mas para que a mensagem seja transmitida exatamente como você quer, os seus funcionários também precisam estar alinhados com a identidade, assim como os seus produtos e seu atendimento pré e pós-venda.
Por quê?
Porque se você é uma universidade que, na divulgação, usa uma menininha do estereótipo de intelectual, com roupinha de executiva, mas se torna conhecida pelo escândalo de uma aluna usando roupas curtas e sendo moralmente agredida por todo o corpo discente, nós temos o que chamamos de “ruído na comunicação” e os seus consumidores, no melhor dos casos, vão ficar muito, muito confusos com o que você está querendo dizer.
Acho que já é possível ter uma noção de onde quero chegar mas, pra ficar mais simples, vou ilustrar com o que aconteceu recentemente comigo.
“Conheci” meu ex-namorado por uma rede social qualquer, começamos a conversar diariamente e acabou surgindo um interesse mais profundo. Antes de nos conhecermos pessoalmente, ele me confessou que tinha o péssimo hábito de tomar um chá de sumiço de vez em quando e eu me lembro claramente de, nesse mesmo episódio, eu ter lhe dito que, se eu fosse a namorada da vez, ele me perderia rapidinho com tal prática.
Ainda assim, a coisa foi evoluindo e resolvemos nos conhecer. Eu disse que moramos em estados diferentes? Mais precisamente a 800km de distância? Pois é. Este era o caso. Para ajudar, tenho pais superprotetores, nunca tinha viajado sozinha e estava me cagando de medo de ir para outro estado conhecê-lo pessoalmente, mas fui.
Nos conhecemos, tudo foi lindo, nos apaixonamos e eu passei com ele os dias que estão entre os melhores da minha vida. Mas a parte romântica acaba aí. Exatamente no “os dias que passei com ele”. Porque quando eu voltava pra casa, ele sumia conforme o prometido. Me ligou pouquíssimas vezes, não atendia às minhas ligações. E começou a conectar cada vez mais raramente, a ponto de, no final de nosso relacionamento, estarmos a dois meses da minha última ida e só termos conversado três vezes, trocando mal e mal duas mensagens de celular por semana. Não, eu não estou exagerando.
O relacionamento durou cinco meses. Eu não desisto de primeira. Tento fazer dar certo até o limite do “agora eu já estou sendo idiota”. Eu acreditei que poderia ser apenas uma fase e que depois, quando os problemas que ele tinha se resolvessem, nós ficaríamos bem. Mas piorou. Eu me sentia cada vez mais sozinha e, como se a distância geográfica não fosse o suficiente, ele ainda me privava de sua presença virtual. E diversas vezes, desde o começo, eu tentei falar com ele sobre isso. Mas as desculpas, apesar de fofas, eram apenas palavras.
Nós aprendemos a acreditar nas palavras de quem amamos. Mas se as palavras dele dizem “eu te amo” e ele se esforça pouco para se mostrar presente fazendo parte do seu dia-a-dia, mesmo de longe, começa a haver um ruído na comunicação.
Foi no dia em que eu brinquei que ia dizer para a internet toda que o amava e ele me respondeu que, se eu o fizesse, ele se sentiria “constrangido e pressionado”, que o meu alerta de babaca acionou. Resolvi que era a minha vez de tomar um chá de sumiço e repensar o que eu estava fazendo ali. Eu mudei o meu mundo e enfrentei meus medos por causa dele, mas ele foi incapaz de separar as próprias dificuldades emocionais da gente e me dar atenção, que era só o que eu estava pedindo.
No dia em que resolvi jogar as cartas na mesa e terminar, ele me disse coisas como “você me fez acreditar que ia esperar as coisas melhorarem” e “Eu não mudei. Você que se acostumou com minha presença e começou a querer cada vez mais.” Infelizmente pra ele, eu sei contar. E sim, eu disse que a única forma de me fazer desistir dele, seria ele me dizer que não me queria mais. E fazendo a retrospectiva, não foi exatamente isso que os gestos dele diziam?
O paradoxo entre o dizer e agir foi tão grande, que o peso das suas palavras sumiu diante do que ele propagou pelas atitudes. Depois do término, ele ainda mandou algumas mensagens no celular, e-mails, mas resolvi ignorar, pois prolongar o contato e ficar remoendo um assunto que já tentamos resolver e não conseguimos, só iria se tornar cada vez mais doloroso e frustrante.
E foi assim que o problema de comunicação dele afundou o nosso relacionamento e eu me mantive coerente com a minha mensagem: eu tento fazer dar certo. Mas se as lágrimas se tornam mais frequentes que os suspiros, é hora de seguir em frente.
E como somos seres humanos e não máquinas, tristezas nos servem de experiência e a gente amadurece mais um pouco. De qual outra forma seríamos capazes de sorrir ao lembrar de um amor que se foi?

Deka

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