Eu sempre segui o provérbio “antes só do que mal acompanhada” e nunca fui de aceitar qualquer companhia, somente pela companhia. Então, acreditem, eu já ouvi isso MUITAS vezes.
O que essas pessoas não compreendem é que, conforme o tempo vai passando e nós vamos seguindo o sábio conselho do ET Bilu, não é qualquer pessoa que é compatível. E se compatibilidade não fosse importante num relacionamento, não haveria tantos divórcios por “incompatibilidade de gênios”.
Quando eu estava no terceiro semestre da faculdade, fiz uns bicos com eventos e conheci um DJ (é, podem rir) simpático e divertido. Poucos dias depois, começamos a ficar e no começo foi bem legal.
Só que com o passar do tempo – ficamos por mais ou menos dois meses – comecei a notar que tava faltando alguma coisa. Por mais que eu enumerasse as qualidades do moço, não conseguia me apaixonar por ele.
A resposta veio na forma mais inesperada: em nossas conversas, ele sempre reclamava muito do trabalho nada estável de DJ e dizia que o sonho dele era trabalhar como técnico de rádio. Ele adorava aquela coisa toda de controlar o som, gravar vinhetas, montar o programa com o locutor, enfim… E um dia, só pela experiência que ele tinha como DJ, ele conseguiu justamente isso em uma das rádio da cidade onde moramos. Puxa, eu fiquei muito feliz, super comemoramos, com direito a brinde de milk shake de ovomaltine.
Se ele não tivesse pedido demissão duas semanas depois.
Quando ele me contou, fiquei passada. É claro que perguntei: “Mas por quê?”. E, para minha mais completa surpresa, ele me respondeu: “Porque eu não gosto de música sertaneja.”
Olha, nada contra o gosto das pessoas, não vamos entrar nesse aspecto do assunto. Mas, poxa vida! Ele estava empregado, fazendo o que ele mais gostava, no tipo de empresa que sempre sonhou! Ninguém está dizendo que ele deveria ficar lá pra sempre. Mas ele não tinha nenhuma experiência com rádio. Era a oportunidade de aprendizado que surgiu. E depois de acrescentar isso ao currículo, ele poderia arriscar outras empresas que se enquadrassem no gosto pessoal dele, certo?
Foi aí que eu entendi o que faltava nele: ambição.
Eu sou ambiciosa. Eu tenho os meus sonhos, quero crescer e estou sempre buscando mais. E quando minha preguiça, que é tipo item de série, me faz beijar a lona, fico deprimida me sentindo a mais completa inútil.
Como eu poderia me apaixonar por alguém acomodado desse jeito? (Vale esclarecer que não considero ambição um defeito. Ganância sim. A diferença? O Mickey é ambicioso. O Tio Patinhas é ganancioso. Pronto. Esclarecido.)
O mais engraçado foi que, no final do nosso relacionamento, cada vez que eu contava algo sobre a faculdade, ele começava a desmerecer meu esforço, chegando ao ponto de dizer que eu era ingênua por me empenhar tanto e que, no fim, aquilo tudo ia valer PN.
Não deu. A coisa foi esfriando, esfriando e resolvi pular fora. Tentei explicar o motivo, mas ele não foi capaz de compreender quando eu disse que “não poderia ficar com alguém que, quando eu buscasse evoluir, ficasse pra trás, dentro da própria zona de conforto”. Só depois do fora, que descobri que nem o colégio ele tinha concluído. Poxa vida, né? E ainda dispensa o trabalho que conseguiu, APESAR DE TUDO ISSO!
Então eu estudo a maior parte dos meus 22 longos e sofridos anos, viro estatística me tornando parte dos 10,6% que concluíram ensino superior no Brasil e não posso querer alguém no mínimo graduado, porque caso contrário estarei sendo exigente?
Olha, já ouvi MULHERES defendendo o antigo costume de não deixar as moças estudarem, porque isso as tornava seletivas e fadadas à solidão. Alguém pode até concordar e dizer “Ué! Prova disso é esse tanto de mulher que ficou pra titia, hoje em dia. Não deixam de ter razão, né?”
É, pode até ser.
Mas eu prefiro entender que a busca pelo conhecimento nos fez descobrir que não precisamos nos amarrar a qualquer traste, só pra ter quem nos sustente.









