Arquivo de Janeiro, 2012

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A exigência é o que leva à preocupação

31/01/2012

Dia desses, ouvi uma conversa que me fez pensar por horas. Duas amigas no metrô de SP falando sobre relacionamentos que não deram certo, erros e sucessos com os homens, dicas, etc. Por sorte, as 10 estações que faltavam para chegar ao nosso destino — já que como bom jornalista tive a atenção de descobrir que morávamos no mesmo bairro –, garantiram mais do que risos ao longo da viagem, durante a forte papagaiada. Renderam discussão. Essa que vos compartilho agora em detalhes que recordo, inclusive com tons de vozes e cores. Vamos ao caso.

Beth* namorava há 4 meses. Um bancário. Moreno, estatura mediana, gostava de judô e futebol. O tal namorado era, segundo nossa protagonista, atencioso, mas muito ciumento. Tinha grana, carro, o próprio apartamento. E queria casar. Mas Beth se dizia muito exigente (?) e não estava pronta para o matrimônio. Mesmo com sua ânsia pela maternidade, pelos domingos a dois, as compras no supermercado e a fugidinha para o motel, o véu, a grinalda, a segurança de um peito masculino numa terça-feira de TPM. E o companheiro era tudo isso. Pé no chão, seguro de vida, de carro, de casa, poupança, pagamentos à vista. Friamente, terminaram. Beth alegou que o tal fulano era tudo o que uma mulher sonhava, mas não era para ela.

Duas semanas depois, conheceu um homem que era totalmente diferente do acima citado. Era músico, porra louca, morava com os pais, fumava maconha. Não usava terno, tampouco queria casar. Não tinha carro, fazia esse tipo ecochato, natureba, vegetariano, que vive em cima de uma bicicleta. O estilo de cara que mulher teme apresentar aos pais. Aquele que diria “Eai?”, para o sogro. Que reclamaria da comida da sogra. Sincero, por vezes grosseiro.

“Vamos lá, amiga. Não precisa fumar, só fique conosco e participe do papo, ela disse”, explicou Beth sobre o convite de uma amiga para juntar-se à uma roda de adeptos da brisa, durante a festa de aniversário em uma chácara no interior do estado. E, entre interrupções da colega de viagem de trem com perguntas sobre sexo e o apito para fechar as portas, Beth tentava explicar como conheceu e se envolveu com Flávio* depois daquela noite na roda do baseado. E como ele era o homem da vida dela. “Mas como você vai convencê-lo a se casar?”, perguntava a amiga pentelha. “Não sei. Vou esperar ele querer”, retrucava Beth. E a conversa seguiu por esse rumo até descermos na mesma estação. Beijos e abraços femininos, desejos de boa noite e direções opostas. Lá se foi uma das maiores incógnitas que pude presenciar na vida.

A grande questão aqui é a suposta exigência. Homens e mulheres (muito mais as mulheres do que os homens) se dizem exigentes quando o assunto é o amor. Querem companheiros inteligentes, engraçados, bonitos (ou não), sarados (ou não), com [muito] dinheiro, fiéis, que não sejam ciumentos… e a lista continua. “É um filtro natural”, defendem alguns. “Eu quero o melhor para mim”, explicam outros. Vamos pensar de outra forma. Imaginemos que as pessoas gostem apenas da ideia de ter um companheiro ou companheira assim. Alguém que saiba conversar sobre a Primavera Árabe, que coloque uma música romântica enquanto cozinham juntos e tenta impressionar falando abobrinhas sobre vinhos tintos, que lave os pratos, que seja recíproco. Não seria legal namorar alguém que cumpra com todas as suas expectativas?

Não. Nenhum ser humano é uma laranja sem metade, um pé descalço, um avião sem asa. Desculpe, Adriana Calcanhoto, mas pessoas são completas. Possuem uma vida totalmente planejada, mesmo que o planejamento seja não ter plano algum. E podem sim ter expectativas. Mas a mais importante delas, seja em um homem ou mulher, é encontrar alguém que te faça feliz do jeito que é. Não importa se faz o tipo modelo de revista ou inimigo da academia. Mais exigente do que você é o seu próprio coração. E ele só bate por quem sabe fazê-lo bater. Te dando casa, comida e roupa lavada ou sendo apenas seu amante. A paixão vem de surpresa e não se importa com status, idade, cor ou credo. Saber aceitar um amor puro vai muito além de querer ser amado, mas de quebrar tabus. “Não curto mina tatuada”, já ouvi de amigos. “Eu fujo de homens atletas. São muito cachorros”, expulsou-me, outra. Daí, lembro de mulheres que passam anos “ao lado” de homens que cumprem detenção. Pessoas traídas que não abandonam seus algozes. Idas e vindas de romances turbulentos, pacíficos. E o filtro dessas pessoas? Existe?

Não carregue a culpa de não corresponder às expectativas de alguém. Poucas pessoas marcam nossas vidas a ponto de nos entregarmos cegamente. E isso vai mais do que ser exigente, é sentir realmente a sintonia, a harmonia entre duas pessoas. Quando entender que é necessário sentir tudo isso com o coração, será feliz com quem quer que seja. Será amado e aprenderá a amar. Afinal, quem muito escolhe, acaba sendo escolhido, não tem jeito.

“O essencial é invisível aos olhos”.

Palavra de macho

(por Bruno Acioli)

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Relacionamentos Esquizofrênicos

18/01/2012

Uma das características mais assustadoras da esquizofrenia é quando o paciente começa a ter alucinações. Pessoas que só ele vê, sons que só ele ouve. É uma das muitas peças que nossa mente complexa pode nos pregar e percebemos o quanto somos frágeis, como seres humanos.

Embora eu tenha quase certeza de estar no controle das minhas faculdades mentais, acabei por me envolver em muitos relacionamentos que, em determinado ponto, começaram a me fazer questionar minha sanidade. Deixando claro desde já, que não se trata de relacionamentos casuais, sem envolvimento emocional.

Foram relacionamentos em que somente as pessoas envolvidas — no caso eu e o dito-cujo — sabíamos da existência, por um motivo ou outro. E depois de vários meses, eu chegava a conclusão de que nenhum de meus amigos havia nos visto juntos, eu não podia falar sobre ele em lugar algum, não podia contar à minha família e ele, por sua vez, também não me assumia de forma alguma. Será que ele EXISTIA?

Certamente que o indivíduo sim, mas o relacionamento, só na minha ingênua cabecinha.

Por todas as vezes que isso aconteceu, cheguei a levar o enrosco por meses, obviamente apaixonada, mas no fim tudo ruiu antes mesmo de assumirmos. A minha conclusão sempre foi: “se não vale a pena assumir, porque valeria a pena continuar insistindo?”

A questão é que podemos embarcar em uma furada dessas por um zilhão de motivos diferentes. Seja porque não queremos que algum ex fique sabendo, porque no início queremos ir devagar para preservar a vida pessoal, ou até mesmo porque não é um relacionamento, por assim dizer, legítimo.

O problema começa no exato instante em que você não quer mais deixar a coisa sob panos quentes (ou lençóis, como preferir) e aí já não sabe mais como fazer isso.

E aí? Como resolver?

Bom. Aí é a hora de ver o que vale a pena para você. O quanto você gosta do cara? Qual é a probabilidade do entrave se resolver e vocês poderem assumir que estão juntos?

Normalmente, o que acontece nesta situação, é que o rapaz (ou moça)  em discussão está acomodado.

Ele até pode gostar de você. Mas te mantendo em banho-maria, tem um carinho fixo a hora em que quiser e ainda pode sair para se divertir como solteiro. (No caso dos solteiros, claro. Se você for a outra, ele conta vantagem na hora de poder comer duas diferentes). Dificilmente um homem vai sair de sua zona de conforto, depois que entrou nela.

Um relacionamento deste pode ser terrível para sua autoestima, porque uma hora você vai se perguntar “por que será que eu não pareço valer a pena de um esforço, para ele?”

Então, somente para fins de pesquisa científica, classificaremos:

casus esquizofrenicus: é aquele que você tem, mas de vez em quando bate uma dúvida se não é só coisa da sua cabeça, já que não tem provas documentais e tudo o que seus amigos conhecem dele é o que você diz.

E você? Já se envolveu com alguém e teve que manter segredo? Já achou que estava alucinando uma relação inteira? Já sentiu que o ficante estava acomodado? Diz aí!

Deka

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Os relacionamentos e as máscaras

16/01/2012

O diretor e preparador de atores carioca Pedro Freire tem uma teoria muito boa sobre preparação de atores. Os egípcios, segundo ele, faziam aqueles desenhos em princípio sem perspectiva – com o nariz de lado e os olhos de frente – porque, para eles, aquela era a representação ideal de um olho e a de um nariz. Então, não importa a posição que o desenho estivesse, os olhos e narizes seriam sempre iguais, assim como pés, mãos etc. Para eles, a forma ideal era mais importante do que a realidade. Então, segundo Pedro, muitas vezes atores interpretam essa forma ideal, e não a realidade. De acordo com o diretor, se você fala para um ator “fique triste”, ele automaticamente vai vestir a “máscara” de triste, que é a forma ideal, e fazer uma caricatura da tristeza. Mas se, ao invés disso, você disser a ele que o personagem dele acabou de perder o filho em um acidente, e que aquele era o filho querido e único de um casal que não podia mais ter filhos, aí sim ele vai interpretar bem a tristeza.

Mas por que este texto sobre interpretação está aqui no AMDI? Porque na vida real – e principalmente nos relacionamentos – as pessoas interpretam e esperam sempre máscaras, formas ideais, e não pessoas reais. Um homem espera sempre a forma ideal da puritana, uma mulher espera a forma ideal do homem fiel e carinhoso. Mas essas formas ideais são falsas. São apenas máscaras. Assim como um ator a quem é ordenado “fique triste” vai tão somente vestir a máscara – a forma ideal – da tristeza, uma mulher que dela se espera que seja “puritana”, vai somente vestir a máscara da puritana, que, assim como a máscara da tristeza, é somente uma máscara, externa, e não condiz com a realidade.

E nós não aprendemos. Pedimos que as pessoas sejam fiéis, carinhosas, safadas, quietas, comportadas, inteligentes, e recebemos nada mais que máscaras. Mas se ao invés de esperarmos ou pedirmos que uma pessoa seja carinhosa, por exemplo, nós explicarmos a ela nosso conceito de carinho, o que faz de uma pessoa uma pessoa carinhosa, aí sim ela será carinhosa, e não só uma máscara de alguém carinhoso. E as pessoas agem assim porque a sociedade nos cobra máscaras. “Seja inteligente”, e lá vamos nós vestir a máscara de inteligente, lendo livros “intelectuais” e rejeitado cultura popular. Mas isso não é ser inteligente. Isso é a máscara, é PARECER inteligente. Mas como a máscara funciona bem, não nos damos o trabalho de nos aprofundarmos. E é aí que nascem os problemas nos relacionamentos.

Em determinado ponto, descobrimos que aquela pessoa carinhosa, atenciosa e fiel, não era nada disso, somente estava vestindo a máscara do carinho, da atenção e da fidelidade. E máscaras não duram para sempre. É a menina com a máscara de comportada que, quando está longe do namorado, age como se fosse solteira. É o sujeito que veste a máscara de carinhoso, mas está de saco cheio fazendo cafuné. E como diz o ditado, uma hora as máscaras caem. E qual a solução para isso, se é que existe uma solução? Simples: tentarmos ser e esperar das pessoas mais que máscaras, mas a compreensão do que aquele conceito significa. Ao invés de pedirmos “fique triste”, vamos explicar o porquê daquela tristeza. Ao invés de pedirmos para a pessoa ser carinhosa ou comportada, vamos explicar o que significa REALMENTE ser carinhoso ou comportado para nós.

Eu admito que eu mesmo visto diversas máscaras, e vesti durante meus seis namoros anteriores. Mas meu namoro atual me fez ver através das máscaras. Me fez ver que “triste “ é muito mais do que baixar os cantos da boca. Me fez ver que fiel é muito mais do que fingir que não vê outras mulheres nas ruas. Me fez ver que respeitar é muito mais do que sair falando por aí que ama. E isso tudo porque a minha namorada não usa máscaras. Inconscientemente, ela pergunta “o que é triste?”, ou “o que é respeito?”, eu explico e fica tudo bem. E atualmente eu e ela não usamos máscaras. Nós procuramos entender o conceito do que o outro quer, e agimos assim. Parece complicado? Acreditem, é muito mais simples do que viver decorando as milhares de máscaras que existem e saber o momento de usar cada uma. Podem apostar.

Palavra do leitor

(por Léo Luz)

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Crônica da vida solteira de um homem hétero da sociedade moderna

13/01/2012

Beleza, hoje é sexta-feira! Não vejo a hora de entregar logo essa campanha, aprovar com o cliente e ralar. Certeza que os caras vão querer ir ao bar. Eu espero que eles queiram ir ao bar! Preciso tomar uma cerveja. Porra, o dia foi cansativo. E por falar em porra, faz tempo que não dou uma. Já tá até pesando no saco. Espero descolar alguma foda nesse bar. Vou ligar pro Carlão e combinar aquele que tem o double caipirinha e sempre lota de gostosa!

Porra, não entendo essa parada. A mulherada no bar, tudo ligada no celular. Todo mundo só no check-in, no Instagram. Chega em uma, tá respondendo SMS de uma amiga. Chega na outra, tá indo embora porque a prima tá na porta de uma balada e disse que conseguiu VIP. O Carlão trouxe a amiga da mina dele, aquela tesudinha. Grudei nela e ouvi que nem nos conhecemos, que nem somos “AMIGOS DE FACE”? WTF? Fui na caruda e pedi o twitter de uma. Segui e ela só reclama de carência, mas não quis se juntar à mesa. Pelo jeito, não vou arrumar nada!

Merda de noite! Bêbado e sozinho. Pseudosozinho, aliás. Essa tal de @janinha32 aqui twittando sobre o filme na TV a cabo. Gatinha! Olha mais uma aqui… @flabv… pegava fácil. Olha a outra falando abobrinha e xingando o DJ da boate. Xi, reclamando que não pegou ninguém ainda. Pelo menos também tá bêbada, hehe. Acho que vou dar meu celular pra ela. Vai que cola. Ô, loco! O chat do facebook, lotado. Essa galera não tem vida social, não? Eu pelo menos tomei umas brejas, uns tocos, mas tô aqui por falta de opção…afinal, Carlão casado sai do rolê cedo. Marquito se embica com as exs dele e sempre acaba em um ou outro remember. Até o Gordo que não tem escrúpulos recebeu um booty call e finalizou uma feinha lá… enfim. Cansei, vou pra casa ver TV. Hum… Seriado? Nah. Futebol americano? Pf, menos ainda. Opa! Sextime! Esse eu quero.

Isso, filha. Tira logo! Para de dançar. Mas que porra! Não tenho o tempo todo. Isso, a calcinha! Muito gostos…quê? Já acabou? Pensa nos filmes. Isso, redtube! Xvideos…

É. Não planejava terminar minha noite assim. Acho que vou dormir! Espero que amanhã eu marque algum ponto. Maldita sociedade moderna em que todo mundo está conectado e eu não conecto em ninguém.

Palavra de macho

(por Bruno Acioli)

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A crise dos três meses

11/01/2012
Atualmente estou vivendo o meu primeiro namoro de verdade. Já tive outras pessoas que chamei de “namorado”, mas chamava assim somente por fidelidade (pelo menos da minha parte) e por não saber exatamente como classificar tal envolvimento. No fim das contas, acabei descobrindo que a única que achava que estava namorando era eu.

Esta introdução serve para ambientar vocês, queridos leitores, a entenderem que eu sempre ouvi falar da crise dos três meses, consolei e aconselhei muitas amigas a passarem por esse período complicado do namoro, mas nunca soube o que motivava as crises, muito menos vivi tal experiência.

Até agora.

Parece que no momento em que você e seu namorado se dão conta de que falta pouco para fazerem três meses, o reloginho do destino se destrava e tudo começa a dar errado.

A boa notícia é que eu entendi o motivo: amadurecimento da relação.

Nos primeiros meses de um namoro tudo é lua-de-mel. Vocês ainda estão encantados com essa pessoa incrivelmente corajosa que te desencalhou, os defeitos até são conhecidos, mas a empolgação com o namoro novinho e todo aquele mundo de novidades a serem desbravadas acabam por ofuscar todo o resto.

Aí o tempo passa. A empolgação começa a acalmar, o amor permanece, as qualidades ficam ainda mais valiosas, e vejam só, os defeitos continuam lá!

Sem o brilho da novidade para te distrair, você começa a conhecer melhor a pessoa com quem resolveu compartilhar seu coração. As partes em que as engrenagens não se encaixam perfeitamente começam a se destacar e aí, meu amigo, minha amiga, chega a hora de acertar os ponteiros.

Aquela sua maniazinha de interromper as pessoas vai começar a incomodá-lo. Aquele jeito fofo dele de dizer as coisas erradas na hora errada, não vai mais ser tão engraçadinho assim. E você vai perceber que, de repente, não era tão paciente quanto acreditava ser.

E então, quando diagnosticamos o problema e o assumimos, fica mais simples encontrar a solução: mais paciência e muita conversa.

Se tem uma coisa que eu aprendi com meu primeiro namoro, é que brigar é a pior coisa que existe. Vocês discordam, você acha que está certa e ele também. Mas você o olha ali, falando aquelas coisas tão duras pra você e você ainda o ama. Até quer fazê-lo entender o que está dizendo, às vezes também diz coisas duras a ele. Mas no fim, percebe que no fundo, só está morrendo de medo de perdê-lo e não vê a hora daquilo tudo acabar.

Aí é a hora de respirar fundo e procurar a melhor solução para ambos. Infelizmente discussões acontecem mesmo e é importante para o amadurecimento dos dois, e também para o entendimento de como este relacionamento vai funcionar.

No fim, tudo se resume ao que vocês sentem um pelo outro e o que estão dispostos a fazer para seguir em frente. E que venham as crises de três meses, quatro, sete, dez anos. Vocês se descobrem com vontade de enfrentar todas elas.

Se há amor, o amor nunca falha.

Deka

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