
Individualismo x Respeito
03/11/2011
Não sei quando foi que as pessoas deixaram de se importar em ferir as outras. Talvez eu ainda não fosse nascida quando esse péssimo hábito começou aos poucos e agora, no auge, eu continuo horrorizada, mesmo percebendo que a maioria já vê tal atitude como corriqueira.
Não vou entrar no mérito da traição, porque eu acredito que o conceito de fidelidade seja muito particular. Acho que, a partir do ponto em que há diálogo entre o casal e ambos curtem serem livres para estarem com outras pessoas, não há desrespeito, portanto não há traição. Além do mais, trair se trata de um extremo e não pretendo chegar tão longe com esse post.

Vou falar apenas de comportamento e do MEU (ficou claro que é MEU?) conceito de relacionamento. A partir daí vocês podem concordar comigo ou não.
Pra mim, relacionamento é compartilhar. Compartilhar sua vida, seus momentos bons e ruins, conquistas, fracassos, coisas, lugares, filmes, risadas e bobeirinhas que todo casal está cansado de saber e adora.
Porém há algo mais que é compartilhado em um relacionamento e pouca gente parece se dar conta disso: a imagem. Desde que você e seu namorado mudaram o status do facebook para “em um relacionamento sério”, a imagem de vocês dois está vinculada e é inevitável que o seu comportamento afete a imagem dele.
Explico. Se você é namorada carinhosa, meiga e fofa quando está com ele, mas quando sai com seus amigos fica dando mole pra um e outro, falando putaria como quando ainda era solteira e enche a cara até subir no balcão e começar a dançar kuduro, você está fazendo todo mundo achar que o seu namorado é um otário, que pensa que você se comporta do mesmo jeito que está com ele, quando sai sozinha. O mesmo tanto para os meninos. Fazer coisas que você não faria na frente dos seus parceiros, qualquer que seja o motivo, abre a oportunidade para que os outros pensem merda de vocês dois.
Daí vêm os individualistas de plantão e dizem: “Tô pouco me lixando pro que os outros pensam. Eu sei que não fiz nada de errado, minha consciência tá limpa. Isso é problema meu.”
Não, pequeno gafanhoto. Não é problema seu. Por que os outros acharem que você é babaca é problema seu mesmo e você tem todo o direito de ignorar a opinião alheia e viver sua vida como você bem entender. Mas agora o que você faz também prejudica a SUA namorada. A SUA namorada é que vai sair como a idiota, que não conhece o namorado que tem. O SEU namorado é que vai sair como o corno, que namora uma guria fácil, que dá em cima de todo mundo. A SUA namorada que vai ser a pobre coitada que namora um alcoólatra que só dá vexame e estraga a festa de todo mundo.
Em um relacionamento, o que você faz não afeta só você. Afeta a pessoa que te ama e que, espero eu, você também ame. Esse é o meu conceito de respeito e acho que não está tão longe assim do que é necessário para fazer duas pessoas viverem felizes juntas.
Ou você é daqueles que acham que respeitar seus caprichos é mais importante do que não ferir quem você ama?









Muitissimo bom texto. Concordo com tudo.
Parabens!
A geração “muderna” aprendeu a se amar acima de tudo, e portanto, ficou individualista por demais. Não que seja errado se amar antes, mas achar que só você importa quando se tem um relacionamento é fazer errado.
Eu caio muito nessa questão quando as pessoas criticam o meu jeito de “deixar de fazer alguma coisa porque meu noivo não quer fazer também”. Cada um tem seus motivos, e na maioria das vezes eu tento (na verdade, eu custei a aprender isso) ceder num ponto que fique bom pros dois.
Muito bem, pequena gafanhota.
Exato… Eu sempre acho que depois que há um relacionamento, não existe mais “eu” e “você”, e sim “nós”. Ou seja: um equilíbrio entre a primeira e segunda pessoa do singular. Esse equilíbrio só o próprio casal é capaz de determinar.
Meio tenso, porque apesar do post ser sobre respeito, ele também esbarra em certos conceitos básicos de liberdade, que são definidos intimamente em uma relação e são discutíveis quando julgados por uma terceira parte. As vezes o que é “feio” para uns, não é tão feio para outros e isso esbarra nos princípios básicos de subjetividade.
Acredito que o respeito esteja mais fundado no conceito do “contrato” entre o casal do que em imagem, atitudes ou julgamentos de terceiros. Ou seja, se o acordo entre eles está incluso esse tipo de atitudes, tudo bem, mas se o casal é incomodado particularmente pela atitude de UM deles, aí realmente falta o respeito na relação e não é algo que compete a culpabilizar um ou outro. Até mesmo porque, desacredito na mera opinião de que “um falta com respeito para com o outro”. Pode-se observar que um relacionamento é um movimento fluido entre duas pessoas que preza, como você mesma disse, por compartilhar… Os sentimentos, por mais que pareçam unilaterais (em momentos), nunca são de mão única e fazem parte de um balet de atividades e atitudes muito mais complexos do que observamos. Por isso, também discordo de que seja possível falar de respeito sem falar de “fidelidade”, no caso, não apenas sexual, mas também em outros sentidos, para se manter tal “contrato” do relacionamento.
Respeito, assim como outros temas atrelados a relacionamento, é um conceito muito complicado de se lidar. Fatão =]
Fer, só peço pra você ler novamente o primeiro parágrafo do meu texto. Exatamente aquele onde digo que conceito de fidelidade é particular e que se não há engano, nãohá traição e portanto, não há desrespeito.
Ademais, deixei claro que era minha opinião
Peço para ler novamente meu comentário, pois não discuti o conceito de fidelidade no sentido sexual (“por estarem com outras pessoas”), mas sim no quesito de um combinado entre ambas as partes sobre quaisquer aspectos do relacionamento, até mesmo as liberdades inerentes a comportamentos dos mais regrados aos mais descabidos. E por isso também coloquei no meu comentário que o respeito, quando mesurado pela opinião de terceiros, não é relativo apenas ao relacionamento, mas a forma como ambos vêem esse relacionamento, ou seja, a incongruência primária no seu texto é que não existe o SEU conceito de respeito/relacionamento, só pode existir o “NOSSO” conceito de respeito, se for seguir sua própria linha de raciocínio.
Um exemplo básico, que usei no texto: se você não pode contar ao seu parceiro, o que fez na ausência dele, é desrespeito. E prejudicar a imagem dele por conta das SUAS atitudes, beira o egoísmo. Se o que foi combinado no início continua te incomodando, é hora de sentar com ele e conversar sobre isso. Mas ainda assim, é necessário que ambos aceitem, para não haver desrespeito. É tudo uma questão de diálogo.
Enfim… achei que estivesse claro. Mas é sempre bom discutir com você. Sempre enriquece meu raciocínio ^^
Perfeito o texto, parabéns, concordo plenamente!
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Aplaudindo de pé aqui xuxu! Perfeita no início ao fim…
Sucesso!