Arquivo de Julho, 2011

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Quando uma metade não basta

29/07/2011

Overdose de ilusões. É assim que vejo meu passado quando penso em todos os filmes de amor que assisti, músicas românticas que ouvi e histórias com finais felizes que li. Para as mulheres, talvez não para todas, a construção de uma vida plena ao lado de uma metade maravilhosa seja o ideal de “vida completa”.

Hoje, sei que não funciona assim.

Durante muitos anos, pensei que a questão “tampa x panela” fosse algo fácil, até natural de acontecer, só que o que fazemos com as nossas expectativas quando o amor simplesmente não acontece?

Amor, paixão, tesão. Chame do que quiser. Cada um, hoje em dia, tem uma maneira personalizada de chamar por este que é um sentimento complicado de ser construído. Sim, construído, porque nem um encontro ocasional perfeito é a garantia, o adubo que fará brotar as inúmeras e complicadíssimas raízes que se firmam em uma relação a dois.

Após quatro anos do término de um relacionamento longo, com muitas cicatrizes e sentimentos mal resolvidos, vejo que o trabalho de reconstrução de uma auto-estima amorosa é uma tarefa árdua e, por muitas vezes, doída. “O problema sou eu, não você”. Hoje acredito completamente que essa seja uma resposta muito honesta, e não simplesmente uma saída pela esquerda de alguém que não queira se comprometer.

Confesso que o ceticismo amoroso e o cinismo sentimental são hoje pilares muito sólidos que se firmaram na essência desta que vos escreve. Perdi amigos e magoei pessoas por dizer coisas que não deveria, em momentos nos quais queridos meus só precisavam escutar um “ele ou ela vai voltar”, ou, “ele ou ela não te merece”. Balela. Tudo em vão. Geralmente o problema está em você, me desculpem a sinceridade. Grosseria? Julgue-me quem quiser.

Hoje, culpo as músicas, os filmes e as histórias. Hoje, me culpo por não enxergar que o real consolo seria alguém ter me dito no passado que eu errei. Errei em acreditar que tudo aquilo não era verdade e que é trabalhoso entregar o melhor que você tem a alguém. Pode ser o melhor sexo, a melhor confissão de amor ou a melhor expectativa. Esta última, sim, te coloca em xeque.

Hoje, sei que não funciona assim.

Amanheço tentando acreditar que um dia poderei inspirar um outro a ser melhor pra mim. Talvez, apenas um fragmento de boa vontade dessa outra parte de um relacionamento conseguisse me fazer ver que vale a pena destruir os meus pilares e repensar a minha fundação.

Hoje, sei que eu funciono assim. Sei também que uma outra metade não me bastará se eu não estiver inteira.

E quem poderá me julgar?

Palavra da Leitora

(Por Ana Samadello)

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O mapa da mina

26/07/2011

Achei uma entrevisa interessantíssima, no Delas, com um “treinador de pegadores”.

Sim, queridos e queridas, um cara que treina homens para pegar mulheres.

O nome da peça é Richard La Ruina e ele se diz um especialista em sedução, capaz de conquistar qualquer mulher.

Mas não foi sempre assim. Segundo a entrevista, ele nunca havia BEIJADO uma mulher até os 21 anos. É.

Não vou reproduzir aqui a entrevista toda (deixarei o link, claro), mas vou só comentar os trechos que achei mais curiosos e dar a minha indispensável opinião sobre.

O nosso querido Ricardo afirma que para conquistar qualquer mulher, o homem precisa ser bem humorado, ter controle da situação e ser um pouco arrogante, o que dá pra resumir em apenas um termo: ter a autoestima elevada.

Até aí, sem grandes novidades. Mas por que isso funciona? (Já que não adianta você negar, amiga, porque FUNCIONA!)

Funciona porque a gente volta para os primórdios do relacionamento emocional e reprodutivo da espécie humana, onde o homem é o provedor que protege a família e a mulher cuida da toca e da prole.

Antes que comece a chover feministas no meu teto de vidro, vou me explicar: nós mulheres somos naturalmente inseguras e
competitivas. Temos o hábito de analisar as situações pelas emoções que as envolvem e não pelos fatos, bem como de ver até mesmo as amigas como rivais quando se trata de um bofe, o que eleva a insegurança à segunda potência.

Aí aparece um homem com a autoestima tão elevada, que é suficientemente seguro para nos fazer rir com o seu bom humor e apresenta um controle da situação que nós não temos. Ele parece alguém perfeitamente capaz de nos proteger física e emocionalmente, oferecendo a segurança que nós procuramos.

Por mais que a gente tenha conquistado direito de voto, independência e sucesso no mercado de trabalho, em casa ainda queremos ser a princesinha que pode ter uma crise de choro sabendo que o gato vai te abraçar com aquela expressão de “você está exagerando” e diz que tudo vai ficar bem.

O homem de verdade não precisa entender as mulheres, desde que nos faça acreditar piamente que entende sim.

O segredo está, como em tudo, no equilíbrio. O cara precisa nos passar segurança o suficiente para sabermos que irá nos resolver da maneira que não conseguimos, ao mesmo tempo que (sendo ligeiramente indisponível e arrogante) nos faz ter medo de perdê-lo para as outras.

Viu? É simples!

Aí vem alguém e diz: “Deka, ele não disse nenhuma novidade e você só choveu no molhado.”

Então me responde porque mesmo sabendo de tudo isso você não pega ninguém, pequeno gafanhoto? Eu te respondo: porque você se intimida diante da beleza da gostosa. Olha praquele decote generoso, engasga, gagueja e pergunta em qual igreja ela gostaria de se casar. Pronto. Você é um desesperado que mostrou que o controle da situação é DELA e não seu.

“Mas, tia Deka, como eu faço isso?”

Quer mesmo saber como? O Bruno Acioli jura que sabe. Vou deixar que ele explique.

Deka

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Tenho medo de fantasmas

11/07/2011

Alguém já deve ter lhe aconselhado: “não fale sobre seu ex com o seu atual”.

Certo? E você ouviu? Aposto que não.

Uma vez, meu pai me disse: “filha, quando você conhece alguém, seu passado amoroso morre. É assim que tem que agir. Homem não quer saber se você já teve um ou dez namorados. Homem gosta de exclusividade, então, finja que ele é o primeiro e nunca conte sobre seus ex-namorados a ele”. E meu pai estava certíssimo!

Obviamente, eu falei de ex para diversos casos (que não deram em nada), mas eu reconheço onde errei e porquê: na amizade.

Quase todos os meus namoros foram resultado de amizades, a princípio sem intenções, mas que evoluíram para “algo mais”… É por essas e outras que não acredito 100% na amizade entre homem e mulher. Se não houve interesse por uma das partes na aproximação ou no início da amizade, os dois estão sujeitos a se gostarem além do normal, a qualquer momento dessa relação.

Quer um exemplo? Você achou o cara gatinho, começou a bater papo com ele e, por algum motivo, acreditou que o caso não daria em nada. Então você se entregou àquela amizade, conversou com ele sobre todas as coisas e, inevitavelmente, sobre seus relacionamentos (é muito bom ouvir a opinião masculina sobre nossos casos, eu sei!). Certo dia, ele começou a te olhar de outra maneira e você viu nele a possibilidade de um relacionamento mais, digamos, profundo. Muito bem. Neste ponto, você já tinha o histórico sexual completo do cara e vice-versa. Você apostava que um cara bacana como ele nunca iria lhe magoar, mas você sabia também que ele não era lá muito santo com as mulheres. Mesmo assim você arriscou e topou uma noite de amor com o gato. No dia seguinte, chegou a nóia. A começar pelo climão por um saber demais da vida do outro. Depois, você se lembrou das dez lindas que estavam no pé do bofe, sobre as quais ele lhe falou na semana passada. E aí chegaram o ciúme e todas as outras chatices que envolvem um relacionamento, quando sabemos mais do que devemos…

Viu como o conselho é válido? É claro que esta relação não vinga. São as ex-namoradas do cara, os seus ex-namorados, as paqueras e investidas  dos dois… Não dá pra ter um relacionamento tranquilo quando existem dezenas de fantasmas rondando o casal. Principalmente se um dos dois fingir que nada aconteceu e continuar contando sobre os casos e acasos da vida. Alguém sairá machucado. E outra: se o namoro engrenar, sempre haverá aquela encanação, a dúvida, a insegurança. Você sempre vai se lembrar do quanto o cara era FDP com as mulheres, você sempre tentará se comparar à ex que ele dizia ser a melhor mulher do mundo na cama…

Por isso, se você, assim como eu, tem medo de fantasmas, mas precisa de conselhos masculinos, converse com seu pai, com seu amigo casado, com seu irmão, com seu tio, com seu primo, com seu psicólogo, com seu ginecologista… Só mantenha a boca fechada quando quiser falar sobre relacionamentos com seus amigos do sexo oposto. Você não sabe o que pode acontecer amanhã.

Beijos,

Lu

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O amor é um buraco negro

03/07/2011

Li recentemente em um post na internet que o suposto amor decente é aquele que vem fácil, sem conflitos, sem intrigas, que nasce naturalmente, que agrega. O autor, um respeitado jornalista de um grande veículo brasileiro, apura as diferenças entre os sacrifícios que se faz em um romance nascido à duras penas, além das brigas e lutas que travam os que se amam, e os amores que acontecem e se sustentam por acaso. Sou fã desse cara e adorei o texto, mas tenho — como todos os amigos esperavam –, um contra-argumento. E aviso: amor é um buraco negro.

Em tempo, não sou o mais velho dos jornalistas, tampouco conheci todas as mulheres do mundo. Gostaria, mas não. De qualquer forma, observo, ouço, pergunto, vivo e compartilho experiências pessoais sobre o que é amar e estar em um relacionamento amoroso. Seja ele curto ou longo. E não é nada fácil, amigo.

Desde que me entendo por gente, tive facilidade para negociar com o sexo oposto. Diferente da maioria de meus amigos, mulheres nunca me assustaram. Isso, obviamente, tornara-se meu trunfo, com o passar dos anos. Em suma, nunca fiquei sozinho. Pelo contrário, estive sempre muito bem acompanhado. Mesmo assim, essa facilidade para atrair moças interessantes não pacificou os romances que vivi com cada uma. A princípio, compartilhávamos coisas boas, sentia o frio na barriga de todo começo de relacionamento e, por pressuposto, assim como o autor do texto sobre amores fáceis, acreditei que essa fosse a saída para o coração apaixonado. Mas, com o tempo, descobri que amar é alimentar o serial killer que existe dentro de você. Porque amor é exigente, é cobrador, apesar de sempre ou quase sempre ser iniciado de um esbarrão na escada do prédio, no elevador, de uma conversa despretenciosa na fila do banco. Alimentar um amor é, na maioria das vezes, viver de sacrifício. E onde existe sacrifício, existe expectativa. Não à toa, as pessoas mais interessantes tendem a morar em outros estados ou países. Ou são totalmente o nosso oposto. Vai dizer que você nunca se deparou com uma pessoa maravilhosa, mas que tinha um único defeito capaz de destruir todo aquele encanto? Olha o sacrifício aí. Até que ponto você iria por um amor? Pergunte-se isso. E quando esse ciclo não é satisfeito pelo objeto amado, o sujeito da oração é invadido por ondas e ondas de sentimentos conflitantes: ciúme, insegurança, a própria insatisfação, às vezes, ira.

Ora, acho ótimo que exista um ou mais cases de sucesso em que o amor é agente pacificador em um relacionamento, em que a cobrança é quase mínima ou que, como diz a música, o acaso proteja os pombinhos distraídos. Isso estimula, dá fé, mas aqui fora, na vida real, amar é lutar. É suar, é surpreender, é desgastar a mente, o corpo, a alma, se possível. Planos, sonhos, investimentos, bens materiais. Tudo para experimentar a adrenalina correndo nas veias que só um amor desses de cinema pode injetar.

Quando duas pessoas se amam e encontram obstáculos, os sacrifícios vêm aos montes. Por que você acha que Romeu e Julieta são o casal mais famoso da literatura mundial? Porque eles representam a guerra por amor. A proibição das famílias, a dificuldade de manter um caso que, até então, era considerado como errado. Mais além, recorde a letra de Eduardo e Mônica. Imagine o que ambos passariam — se a história fosse real –, para ficarem juntos. Quantas diferenças não teriam que relevar, quantas complicações e atritos? E, adivinhe só, existem milhares de Eduardos e Mônicas por aí, que relevam, diariamente, dúzias de características por um bem comum: o amor. Diamante bruto que precisa ser lapidado pela tolerância, paciência, argumentação e outras necessidades básicas que sim, tornam-se sacrifícios quando se trata de uma terceira pessoa. Penso que esse amor tranquilo que todos curtem, que todos querem, é muito lindo, mas utópico. Também gostaria de uma relação em que eu não precisasse abrir mão de meus planos pessoais, meus trejeitos, meus mimos e mesmo assim, ainda ter a mulher que amo ao meu lado. Entretanto, lutar e batalhar por cada pessoa que imagino merecer meu amor e por quem nutro um sentimento mínimo de carinho sequer, me torna cada vez mais maduro e consciente, corajoso e crente nas coisas boas que o ser humano pode oferecer. Amor sofrido é resistente. Amor combatente é merecedor. Se alimenta de esperança, de esforço, de lágrima, de trabalho em equipe.

O buraco negro, assim como esse amor que vos falo, é , segundo os astrônomos, um fenômeno intrigante e avassalador, mas não deixa de ser um espetáculo bonito e necessário para a continuação do universo e, nesse caso, da vida a dois.

Palavra de macho

(Por Bruno Acioli)

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