Arquivo de Abril, 2011

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Estranhos

18/04/2011

Lá pelos meus 17 anos de idade, comecei a assinar a Revista Nova. Reparei — e muitas mulheres devem ter reparado também — que, nos editoriais da revista sempre havia um certo modelo de cabelos castanhos claros, quase loiros, com uma barba por fazer.  Acho que ele era um dos favoritos dos fotógrafos da editora.

Quando entrei para a faculdade, em 2001, cruzei com este modelo nos corredores do campus onde eu estudava.

– “Amiga! É o modelo da Nova! Ele é um gato!” — comentei com a Paula, minha melhor amiga na época.

Dali pra frente, passei a encontrá-lo algumas vezes pela faculdade mas, como ele nunca nem olhou pra mim, não puxei papo nem soube absolutamente nada da vida dele — sequer o curso que fazia.

Acabou a faculdade e fiquei muito tempo sem vê-lo, nem pessoalmente nem na revista.

Certo dia, em meados de 2006, encontrei o tal modelo no supermercado do bairro. Quase batemos os nossos carrinhos quando entramos, juntos, no mesmo corredor. Encarei-o e ele nada. Nem me viu.

Em 2009, eu tomava um chopp com meus amigos em um bar qualquer da Vila Madalena, do outro lado da cidade, quando vi o bofe sentado à mesa ao lado, rodeado de gente. Mais uma vez, ele não trocou sequer um olhar comigo.

No Carnaval deste ano, eu estava no ensaio técnico da minha escola de samba, no sambódromo do Anhembi e, adivinhe… Vi o cara passando com dois ou três amigos, na concentração. Minha escola estava para entrar na avenida e, como ele andava em direção à fila dos foliões, acredito que tenha desfilado na mesma escola que eu.

– “Olha! Aquele cara estudou na minha faculdade!” — até comentei com minha amiga Ana.

Obviamente, ele não me viu.

Na noite do desfile, enquanto eu fumava um cigarro, vestida com a alegoria completa, do lado de fora do salão onde a Ala das Baianas esperava o sinal para entrar na avenida, eu o vi. Ele passou, de longe, acompanhado de uma garota, ambos vestindo fantasias de uma ala qualquer.

Hoje, fui à missa, celebrar o Domingo de Ramos. Eu estava no meio da igreja, quando o Padre pediu que todos virássemos para trás, a fim de ver a entrada da procissão. Quando olho para a porta da igreja, quem está lá? Ele, óbvio.

Na hora da comunhão, ele passou do meu lado e eu vi um belo anel prateado em seu dedo direito. Deve ser noivo ou namorar sério. Ou não. Pode ser somente um anel.

Mas, enfim, quando me sentei novamente, comecei a refletir. Por que este homem cruza o meu caminho há tanto tempo? Será que ele também se surpreende quando me vê?  Será que ele me vê? Qual o propósito dos nossos encontros? Eu o vejo há mais de 10 anos e não sei sequer o seu nome! Será que, um dia, nos encontraremos e trocaremos alguma palavra? Será que o destino quer que nos conheçamos?

Quantas pessoas será que passam por nós tantas e tantas vezes e nós não nos damos conta? Já parou para pensar nisso?

Eu gostaria de saber o fim dessa história. Ou o começo.

Beijos

Lu

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Disponha-se!

15/04/2011

Como você pôde acompanhar, sou novo no blog, mas já recebo e-mails e mensagens nas redes sociais com pedidos de ajuda de mulheres e homens que estão sofrendo por saudade, traição, briga. Respondo sempre no privativo com mais intimidade, afinal, cada um com seu problema, mas muitas perguntas e situações inspiram meus textos. Te falei, uma vez, nem tudo é teoria desta minha mente insana. E assim aconteceu essa semana.

“Olá, Bruno. Gostaria de uma ajuda. Há cinco anos me relaciono com uma pessoa e vivemos em constante pé-de-guerra. Terminamos diversas vezes ao longo do tempo, mas sou muito apaixonada por ele e não consigo abandonar. É um amor vagabundo, sabe? [...]“

O parágrafo acima foi extraído de um e-mail que recebi recentemente e me preocupa por dois motivos: o primeiro é porque vejo muitos casais nessa situação de conflito x amor. E o segundo motivo é a definição de amor que a pessoa dá.

Relacionamentos são complicados, mas não imagino uma justificativa para prolongar sofrimento. Brigas são, em alguns casos, inevitáveis, mas será que a dosagem de amor compensa tanta encrenca? Compensa esse tal ‘amor vagabundo’?

É bobagem pensar que amor de verdade só acontece uma vez na vida. É bobagem pensar que amor de verdade é conflitante, caótico, desesperado. É bobagem pensar que uma única pessoa no mundo conquistará seu coração de tal forma que você não será feliz sem ela ao seu lado. É bobagem pensar que química se resume em um beijo, em sexo. É bobagem ignorar a química de ideias, de valores, de ideais. É bobagem colocar o amor à frente da disposição.

Quem ama vai além dos limites. É viciado em frequência cardíaca acelerada, procura sempre uma loucura para demonstrar o amor. Às vezes, chega à autossabotagem. Tudo isso porque acredita que aquele ou aquela por quem essa ruptura de princípios é oferecida, merece ou retribuirá à altura. E, em muitos casos, o beneficiado, por ser o oposto de seu beneficiário, é indiferente às demonstrações de afeto. Ei, tudo bem. Ninguém é obrigado a amar ou corresponder. Cada um faz o que quer de sua vida, não culpe quem é o oposto de você.

Pessoas dispostas podem criar químicas interessantes, relacionamentos sólidos. Pessoas opostas criam laços fracos, amores inseguros. E o que caracteriza uma pessoa disposta não é o que ela espera do amor ou suas semelhanças com seu parceiro, mas sim o que ela aproveita desse amor. Curtir o que cada um tem a oferecer é o segredo de uma relação saudável. Exigir do outro que complete o que te falta é egoísmo, crueldade e oposição. Amor deve agregar e não subtrair.

Ser diferente é uma coisa. Rumar para caminhos opostos é outra. E quando isso acontece, é hora de deixar partir. Ninguém morre de amor e quando tudo acaba, é hora de centralizar a energia e dedicar-se à pessoa mais importante da sua vida: você. E como diz o Teatro Mágico, enquanto os opostos se distraem, os dispostos se atraem.

Eu me disponho à disposta e você? ;)

Palavra de macho

(Por Bruno Acioli)

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Adeus

14/04/2011

Este final de semana, recebi uma visita inesperada.

Alguém que amei muito veio me ver de surpresa.

Não nos falávamos desde o término e ele queria me provar que não era o cara que causou o fim do nosso romance e sim o cavalheiro que me conquistou no início.

A parte estranha foi que eu esperei por essa atitude durante meses, quando estávamos juntos. Eu teria dado meus últimos suspiros por ela, para ter de volta as certezas que eu havia perdido. E agora, quando aconteceu, tudo o que senti foi um grande vazio.

Concluí que certezas, quando perdidas, são um tanto quanto irrevogáveis. Assim como a confiança.

Mas essa não foi a pior parte.

A dor maior, foi que ele veio para cá resgatar o nosso amor. E tudo o que conseguiu foi carregar de volta um amor só dele.

Não há nada mais triste do que um amor que morreu. Você procura toda aquela beleza que coloria seus dias e não a encontra mais. O sentimento se foi. Agora todos aqueles momentos felizes tornaram-se apenas lembranças, que não poderão mais ser reais.

Há um impulso de salvá-lo. Quem te ama surge com o coração em uma bandeja, oferecendo-o de volta e de bom grado a você, mas tudo o que encontra é o silêncio ecoando de volta.

Um amor não correspondido é um amor desperdiçado. É uma história não vivida. Um espelho que reflete somente o vazio.

E você não quer perder aquela chance. Quantas pessoas buscam por isso todo santo dia? Está ali, na sua frente, apenas esperando que você estenda um sorriso e sele com o olhar.

Mas você permanece emudecido. Amaldiçoa a injustiça  dos desencontros da vida. Abaixa os olhos, sem coragem de encarar o calor daquele sentimento dedicado todo a você. Mantém um braço de distância entre os dois corpos.

E sente que não é mais capaz de corresponder a aquilo tudo. Aquilo que um dia foi a razão do seu despertar e o momento mais ansiado da sua rotina.

Então você desfere o golpe de misericórdia, esperando que o mundo desmorone a sua volta. Mas nem isso acontece. O mundo apenas continua girando, indiferente à sua pequena tragédia.

Amar pode não ser a coisa mais simples e fácil do mundo. Mas não amar é frio e escuro.

Eu sinto tanto…

Deka

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11 lições para entender um homem

06/04/2011

1 – Síndrome de Herói
Por uma questão genética, histórica e cultural, o homem precisa bancar o herói em algum momento de sua vida. Entenda que todo heterossexual convicto cresceu brincando de super-herói, lendo comics, desenhos animados, lutando contra os amigos e tudo mais. Logo, deixe seu macho trocar o chuveiro, mesmo que ele não saiba. Consertar o encanamento, pintar o portão, montar o guarda-roupas recém comprado. Deixe-o ajudar a gostosa com o pneu furado no meio da estrada. Esse é apenas o ego pedindo uma massagem. Nada além disso.

2 – Cavalherismo não é obrigação
Todo homem sabe que mulher adora cavalherismo. Abrir a porta do carro e outras gentilezas devem vir do próprio macho. Se ele não o faz, não cobre. Mulher que pede para que abramos a porta do carro, carreguemos sua bolsa, carreguemos a própria mulher, é um saco. Se você merecer, vai receber sua dose diária de cavalheiro ou de cavalo, tudo depende de você.

3 – Não é não
Mulheres são indecisas por natureza. Isso é indiscutível. Já os homens são mais do que certos de suas decisões. Queremos ou não queremos. Não tem essa de “eu não quero agora, mas posso querer daqui 10 minutos”. Se um homem disser “eu não quero assistir Sex and The City”, por mais incrível que pareça, significa que ele NÃO QUER ASSISTIR SEX AND THE CITY. Essa única afirmação negativa não corresponde à “por favor, insista mais um pouco”. Eu sei que isso é impossível segundo o Manual Prático da Mulher Irritante, mas é verdade.

4 – Aprenda a interpretar
Aqui vem outro exemplo do item acima. Existe alguma ligação entre a capacidade de distinção de uma mulher e seu nível de irritação que, quanto mais nervosa, mais distorcido fica o discurso de um homem. É algo como “Amor, você está nervosa e eu não quero discutir” e ela entende “Fala logo que você não me suporta!”. Ou quando o homem diz que vai ao bar com o Carlão e o Careca e ela, de alguma forma, pensa que o fato de ir ao bar com dois amigos significa que o relacionamento anda ruim das pernas. Em suma, não seja doente.

5 – Implicância tem limites
Uma vertente do item acima. Implicar com tudo que fazemos é um tiro no pé. Por melhor que seja o sexo, o homem não atura uma mulher chata. Aquela que implica com tudo. Com roupa, com perfume, com o carro, com o trabalho. Seja aquela moça boazinha que conheci no começo do namoro, que não se importava com os jogos de futebol às quintas e domingos, com a feijoada dos amigos aos sábados e vamos aproveitar todos os outros dias para ficarmos bem, pode ser?

6 – Independência ou morte
Homens são, em sua esmagadora maioria, independentes. Cortamos o cabelo da maneira que bem entendemos, usamos as roupas que pensamos ser as melhores, compramos o carro que queremos e assim por diante. Tudo bem, entendo que comentário feminino seja válido, mas saiba diferenciar um comentário de uma imposição. Ou prepare-se para a inquisição.

7 – Os amigos
Não me interessa se o Tiago é canalha, se o Junior trai a namorada, se o Renatão fuma maconha. Criticar, xingar e não respeitar os meus amigos é pior do que desrespeitar a mim mesmo. Lembre-se de que, com certeza, você tem uma amiga vagabunda da qual eu não gosto. Eu escolhi cada um, assim como escolhi você. Pense nisso.

8 – Apoio às iniciativas
Se você tem um homem dentro de sua casa, já se deparou com algumas situações do tipo: “Estou pensando em colocar uma mesa de bilhar aqui na sala”. Acontece que nós temos alguns desejos reprimidos em nossas mentes. Por mais absurdos que eles sejam, a mulher que, pelo menos, tenta apoiá-los, ganha muitos e muitos pontos. Então, ao invés de responder a afirmação acima com “Você tá maluco? Não vai colocar uma mesa de bilhar na minha sala, nem por cima do meu cadáver”, tente dizer “Amor, você não acha que uma mesa de sinuca diminuiria o tamanho da nossa sala? Porque você não coloca uma mesa de pebolim e assim posso ganhar de você nas terças-feiras?”. Talvez assim, o cavalherismo aflore com mais frequência.

9 – A vida real não é um filme
Sabe por que homem detesta comédia romântica? Pelo simples fato de aquilo não ser nem 1% da realidade. A população masculina heterossexual deveria criar uma ONG para derrubar a produção de comédias românticas. Ou então, um conselho para aprovação de produções desse tipo. Esse veneno contamina a mente da mulher e ainda somos obrigados a ouvir, em meio aos murmúrios lacrimejados, acusações do tipo “viu, por que você não é assim? Por que você não diz 30 vezes por dia que me ama?”. E quem diz?

10 – Compartilhe o problema
Nada no mundo é mais broxante do que ver a cara de merda que uma mulher faz quando se incomoda com alguma coisa. E o pior é quando o homem pergunta se existe algo errado e a resposta vem em forma de insulto, como um “nada” ou “você sabe muito bem o que aconteceu”. Primeiro que se eu pergunto é porque me importo, então engula a porra do orgulho e fale o que incomoda. Segundo que se eu pergunto é porque não tenho bola de cristal. Então engula a porra do orgulho e responda minha pergunta. Simples assim.

11 – Respeite o ciúme
Aqui, uma das coisas que mais irrita o homem moderno. Quando ele percebe que um outro homem tem segundas intenções com sua mulher. Não existem inocentes no mundo e sabemos o quanto uma mulher gosta de ser desejada. Portanto, se algum dia, reclamarmos de qualquer homem que seja do seu convívio, considere rever a sua relação com ele. Ou reveja a sua relação com o seu homem.

*Cerca de 100 homens, de 20 a 32 anos, foram entrevistados para a criação deste post.

Palavra de Macho

(Por Bruno Acioli)

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