Lá pelos meus 17 anos de idade, comecei a assinar a Revista Nova. Reparei — e muitas mulheres devem ter reparado também — que, nos editoriais da revista sempre havia um certo modelo de cabelos castanhos claros, quase loiros, com uma barba por fazer. Acho que ele era um dos favoritos dos fotógrafos da editora.
Quando entrei para a faculdade, em 2001, cruzei com este modelo nos corredores do campus onde eu estudava.
– “Amiga! É o modelo da Nova! Ele é um gato!” — comentei com a Paula, minha melhor amiga na época.
Dali pra frente, passei a encontrá-lo algumas vezes pela faculdade mas, como ele nunca nem olhou pra mim, não puxei papo nem soube absolutamente nada da vida dele — sequer o curso que fazia.
Acabou a faculdade e fiquei muito tempo sem vê-lo, nem pessoalmente nem na revista.
Certo dia, em meados de 2006, encontrei o tal modelo no supermercado do bairro. Quase batemos os nossos carrinhos quando entramos, juntos, no mesmo corredor. Encarei-o e ele nada. Nem me viu.
Em 2009, eu tomava um chopp com meus amigos em um bar qualquer da Vila Madalena, do outro lado da cidade, quando vi o bofe sentado à mesa ao lado, rodeado de gente. Mais uma vez, ele não trocou sequer um olhar comigo.
No Carnaval deste ano, eu estava no ensaio técnico da minha escola de samba, no sambódromo do Anhembi e, adivinhe… Vi o cara passando com dois ou três amigos, na concentração. Minha escola estava para entrar na avenida e, como ele andava em direção à fila dos foliões, acredito que tenha desfilado na mesma escola que eu.
– “Olha! Aquele cara estudou na minha faculdade!” — até comentei com minha amiga Ana.
Obviamente, ele não me viu.
Na noite do desfile, enquanto eu fumava um cigarro, vestida com a alegoria completa, do lado de fora do salão onde a Ala das Baianas esperava o sinal para entrar na avenida, eu o vi. Ele passou, de longe, acompanhado de uma garota, ambos vestindo fantasias de uma ala qualquer.
Hoje, fui à missa, celebrar o Domingo de Ramos. Eu estava no meio da igreja, quando o Padre pediu que todos virássemos para trás, a fim de ver a entrada da procissão. Quando olho para a porta da igreja, quem está lá? Ele, óbvio.
Na hora da comunhão, ele passou do meu lado e eu vi um belo anel prateado em seu dedo direito. Deve ser noivo ou namorar sério. Ou não. Pode ser somente um anel.
Mas, enfim, quando me sentei novamente, comecei a refletir. Por que este homem cruza o meu caminho há tanto tempo? Será que ele também se surpreende quando me vê? Será que ele me vê? Qual o propósito dos nossos encontros? Eu o vejo há mais de 10 anos e não sei sequer o seu nome! Será que, um dia, nos encontraremos e trocaremos alguma palavra? Será que o destino quer que nos conheçamos?
Quantas pessoas será que passam por nós tantas e tantas vezes e nós não nos damos conta? Já parou para pensar nisso?
Eu gostaria de saber o fim dessa história. Ou o começo.
Beijos










