Depois do futebol, a conversa é sempre a mesma:
- O Marcos* não fica para a cerveja pós-pelada porque a Juliana* não deixa.
O Marcão, por sua vez, retruca:
- Eu respeito minha mulher, ela não gosta. Por que brigar?
Os amigos insistem:
- Marcola, uma breja só. A Juli nem vai sentir a diferença.
Por conta da insistência, Marcos aceita o convite e cumpre com o combinado. Bebe uma lata de cerveja e vaza. O problema é que o nosso protagonista demorou 20 minutos a mais do que o de costume. E adivinha quem estava esperando com a briga preparada?
A situação acima de fato aconteceu e ilustra o comportamento masculino perante uma companheira chata, brava e egoísta. Marcos só joga futebol uma vez por semana. Sendo que nossos jogos acontecem de duas a três vezes e sempre com um churrasquinho ou uma cerveja no final. O ambiente exala masculinidade e nenhum dos caras que ali joga, leva qualquer mulher. Tanto que os funcionários da quadra são todos homens (talvez até para evitar complicação com as mulheres dos clientes, o que torna o problema muito mais crônico).
Diante deste cenário — que apelidei de ‘extração espontânea dos bagos’ –, é fácil perceber que existem dois problemas graves. O primeiro é bem mais fácil de ser resolvido: a mulher. Ela é mais chata do que o chato que dá no saco. É nítido que o que ela procura não é um companheiro ou parceiro, mas sim um capacho. Reclama de tudo, não é? Você conhece uma mulher e imagina que ela seja amiga, divertida, parceira, para dividir os momentos bons e ruins, mas por um passe de mágica, a criatura se materializa na versão feminina e em miniatura do seu chefe divorciado que não trepa há um ano. Ou mesmo da SUA chefe gordinha que insiste em usar meia calça marrom com saiote e camisa social florida, com aquele sutiã bege nojento. Eu imagino que esse tipo de mulher tenha sofrido muito na vida, amorosamente falando, porque só assim para explicar esse medo constante de perder o cara até para os amigos. No fundo, ela deve saber que se deixar um pobre coitado como o Marcos escapar, não encontrará nenhuma outra alma penada para compartilhar o miserável fim de sua vida. Logo, sufoca. E não estou falando só de mulheres feias, pelo contrário. Mulheres bonitas e gostosas, porém inseguras e absurdamente carentes e irritantes.
O segundo requer muita força de vontade: o homem. Eu sei, meu amigo. Mulher muda de humor e personalidade como a maré. Principalmente se um cara se apaixona pela mocreia, aí não tem mais jeito. Abaixa mesmo a cabeça, encolhe o rabo, deixa cortar o saco e engole pedindo carinho. Homens assim deixam o sentimento falar mais alto, evitam brigas, vão cedendo conforme o encosto (namorada ou esposa) exige. E, assim, perdem a ‘voz’ e suas vontades. A consequência é devastadora: ele aprende a gostar do que ela gosta. Mais do que se relacionar, ele está sendo adestrado.
Meu conselho para você que é homem e passa por esse cenário monstruoso: pé no rabo. Se manca, véi. Chuta a mal comida e vai ser feliz! Sua personalidade não deve nunca sucumbir à vontade do outro. Vira macho e mostra que a porta da rua é serventia da casa pra quem não aceita futebol com cerveja, ronco, coçada de saco e outras características másculas que elas tanto amam. Porque quando a Sandrinha* está chateada por transar pela décima terceira vez seguida no primeiro encontro sem receber qualquer ligação sequer, no dia seguinte, de qualquer um dos treze caras, não importa se você está largado no sofá de cueca assistindo o Faustão, vai sair dali na porrada para ceder o que tiver que ceder, afinal, como elas mesmas gostam de dizer, amigas sempre têm espaço para chorar ou se divertir. Então, fera, é bom não abandonar o futebol com a rapaziada porque a sua mulher pode e vai te abandonar quando achar que deve.
Agora, se você é mulher e se identificou com a personalidade acima descrita, preste atenção: sabe aquelas merdas de filmes que você obriga seu namorado a assistir? Tipo, “Doce Novembro” ou “Comer, Rezar, Amar”, sabe? Junte todas as suas outras amigas mal amadas e combine de assistir essas porcarias COM ELAS. Você mata três coelhos com um só cajadada: assiste a essa tranqueira de filme que gosta, vê as pentelhas das amigas e ainda deixa o Marcão sossegado para tomar cerveja com os amigos. Exato! Aproveite que ele está lá na quadra com a gente, comendo uma picanha e tomando cerveja e faça uma “Noite das garotas” ou qualquer outra palhaçada que quiser chamar. E vê se entende que namorado não é um cãozinho adestrado. Não jogue suas frustrações no seu parceiro. Trate-o como um homem e amigo e seja uma mulher pra ele. Fora isso, aposto que um pouco de individualidade não vai fazer mal a nenhum dos dois.
Valeu o recado?
*Os nomes expressos neste post são fictícios.
(por Bruno Acioli)














