Ninguém toma atitudes por tomar. Desde abrir a geladeira a dar um pé na bunda de alguém, todas as nossas atitudes são objetivadas por uma expectativa. Abro a geladeira na expectativa de encontrar alguma coisa gostosa para comer e por aí vai.
Sempre que reclamo de qualquer coisa em um relacionamento, ouço alguém dizer: “Lu, você precisa parar de criar expectativa!”. Como se fosse esse o grande problema. Eu não fico com alguém sem esperar que alguma coisa aconteça — e acredito que ninguém fique! Que seja só sexo, se a minha intenção for sair com um cara one night stand, eu crio expectativas sobre: “será que ele é bom de cama? Será que vai ser legal? Será que não vou me arrepender?”. É óbvio!
E não dá para evitar as expectativas em um relacionamento. Ainda mais porque relacionamentos, normalmente, envolvem sonhos e objetivos de vida.
Eu estava namorando um cara que dizia que me amava como nunca amou, que queria se casar comigo, ter filhos, formar uma família etc etc etc. O que eu deveria ter feito? Ignorado tudo isso? Claro que não. Eu acreditei nas palavras dele e planejei todos os sonhos que (aparentemente) eram nossos — e não só meus.
Expectativa é diferente de ilusão. Se você disser que eu preciso parar de me iludir, aceitarei seu conselho. Se estou com um cara que nunca diz nada sobre nosso futuro juntos, que diz que não está pronto para um relacionamento sério e eu enfio na minha cabeça que ele está só fazendo charme e que, no fundo, ele me ama e quer casar comigo, aí sim, estou me iludindo.
E eu não me iludo mais sozinha. Foi-se o tempo em que eu acreditava em sinais e mensagens subliminares. Hoje, eu acredito em palavras e atitudes.
Sim, ainda acredito em palavras. Fui criada para acreditar que as pessoas devem honrar suas palavras — mesmo que eu tenha acreditado muitas vezes em ditos mentirosos.
E talvez aí esteja o meu problema. Não sou mais adolescente para acreditar que “vamos sair para jantar” signifique “estou apaixonado por você”. Sair para jantar significa sair para jantar e mais nada. Eu acredito no que dizem, com todas as letras. Se um cara diz que me ama, eu entendendo que ele realmente me ama. Então, voltando às expectativas, essas tais três palavrinhas significam muito e, quando são ditas, todos esperam determinadas atitudes.
Ele diz que me ama demais. Eu ameaço ir embora. Ele me deixa ir. Onde está o erro? Em mim, por achar que ele deveria me impedir, já que me ama como fala? Eu crio expectativas, sim.
Ele diz que não consegue viver sem mim. Eu peço para que ele, então, escolha entre estar ao meu lado ou viajar. Ele fica com a segunda opção. Eu esperei que ele me escolhesse. Eu criei expectativas, sim.
Nas duas situações, eu tomei atitudes esperando determinadas reações. Criei expectativas, sim, como faço — e você também faz — com tudo na vida.
Ninguém entra em um ônibus sem destino.
Beijos,
P.S.: Veja esta cena de Sex and the City:
Era o esperado.










