Arquivo de Dezembro, 2010

h1

Expectativas…

30/12/2010

Ninguém toma atitudes por tomar. Desde abrir a geladeira a dar um pé na bunda de alguém, todas as nossas atitudes são objetivadas por uma expectativa. Abro a geladeira na expectativa de encontrar alguma coisa gostosa para comer e por aí vai.

Sempre que reclamo de qualquer coisa em um relacionamento, ouço alguém dizer: “Lu, você precisa parar de criar expectativa!”. Como se fosse esse o grande problema. Eu não fico com alguém sem esperar que alguma coisa aconteça — e acredito que ninguém fique! Que seja só sexo, se a minha intenção for sair com um cara one night stand, eu crio expectativas sobre: “será que ele é bom de cama? Será que vai ser legal? Será que não vou me arrepender?”. É óbvio!

E não dá para evitar as expectativas em um relacionamento. Ainda mais porque relacionamentos, normalmente, envolvem sonhos e objetivos de vida.

Eu estava namorando um cara que dizia que me amava como nunca amou, que queria se casar comigo, ter filhos, formar uma família etc etc etc. O que eu deveria ter feito? Ignorado tudo isso? Claro que não. Eu acreditei nas palavras dele e planejei todos os sonhos que (aparentemente) eram nossos — e não só meus.

Expectativa é diferente de ilusão. Se você disser que eu preciso parar de me iludir, aceitarei seu conselho. Se estou com um cara que nunca diz nada sobre nosso futuro juntos, que diz que não está pronto para um relacionamento sério e eu enfio na minha cabeça que ele está só fazendo charme e que, no fundo, ele me ama e quer casar comigo, aí sim, estou me iludindo.

E eu não me iludo mais sozinha. Foi-se o tempo em que eu acreditava em sinais e mensagens subliminares. Hoje, eu acredito em palavras e atitudes.

Sim, ainda acredito em palavras. Fui criada para acreditar que as pessoas devem honrar suas palavras — mesmo que eu tenha acreditado muitas vezes em ditos mentirosos.

E talvez aí esteja o meu problema. Não sou mais adolescente para acreditar que “vamos sair para jantar” signifique “estou apaixonado por você”. Sair para jantar significa sair para jantar e mais nada. Eu acredito no que dizem, com todas as letras. Se um cara diz que me ama, eu entendendo que ele realmente me ama. Então, voltando às expectativas, essas tais três palavrinhas significam muito e, quando são ditas, todos esperam determinadas atitudes.

Ele diz que me ama demais. Eu ameaço ir embora. Ele me deixa ir. Onde está o erro? Em mim, por achar que ele deveria me impedir, já que me ama como fala? Eu crio expectativas, sim.

Ele diz que não consegue viver sem mim. Eu peço para que ele, então, escolha entre estar ao meu lado ou viajar. Ele fica com a segunda opção. Eu esperei que ele me escolhesse. Eu criei expectativas, sim.

Nas duas situações, eu tomei atitudes esperando determinadas reações. Criei expectativas, sim, como faço — e você também faz — com tudo na vida.

Ninguém entra em um ônibus sem destino.

Beijos,

Lu

P.S.: Veja esta cena de Sex and the City:

Era o esperado.

h1

Da novela para a vida real

21/12/2010

Na novela Passione, da Rede Globo, há a história de Berilo (Bruno Gagliasso), Jéssica (Gabriela Duarte) e Agostina (Leandra Leal). Berilo era casado com Agostina, na Itália, mas veio para o Brasil e se casou com Jéssica, sem se separar da primeira esposa. Foi preso — porque bigamia é crime — e acabou se separando de uma delas, a Agostina. No capítulo de ontem, Berilo foi atrás de Agostina, que afirmou não querer mais nada com ele. E ele chorou. Ele ama as duas mulheres e não consegue se satisfazer com uma só.

Agora, não é porque novela é ficção que essa história não pode acontecer com a gente. Isso é mais comum do que se imagina.

Quando eu era pivete, eu gostava sempre de mais de um menino da escola. Gostava daquele nerdinho bonitinho da minha sala, que tirava notas altas e era o exemplo da classe; do gostosão do terceiro colegial, que jogava futebol sem camisa; e do repetente do ano seguinte ao meu, que tinha todo um charme naquele jeito vagabundo. Minhas amigas me perguntavam, sempre que me viam suspirar por um ou por outro: “Mas, Lu! De quem você gosta, afinal?”. Eu gostava dos três! Cada um tinha uma característica especial que me chamava a atenção. E eu gostava de todas elas.

Lá pelos meus 20 anos, comecei a sair com dois caras, completamente diferentes, simultaneamente. Um levava a vida que eu sonhava, mas eu achava que não era para o meu bico — jurava que ele nunca ia querer nada sério comigo. O outro era romântico, do jeitinho que eu queria, e demonstrava que aquela relação poderia virar. Eu estava apaixonada pelos dois, mas uma hora eu tive que optar por um só.

Minha escolha talvez não tenha sido a mais correta. Eu não fiquei com o primeiro cara porque achava que ele não queria nada com nada. Quando eu já estava namorando o outro, que me traiu e me fez sofrer horrores, o primeiro se declarou apaixonado e disposto a ficar comigo até o fim. Não temos como prever o que encontraremos na estrada quando optamos por um dos caminhos em uma bifurcação. Mas a vida é um risco. E o que importa é seguir o que o coração manda.

É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? É. Mas cabe a nós, colocarmos os prós e contras de cada relacionamento numa balança para decidirmos entre um e outro. Sentir desejo por outra pessoa, quando se está com alguém, é natural — e incontrolável. Mas, nem por isso, devemos sucumbir aos instintos toda vez que nos sentimos atraídos por alguém. Até porque, uma relação estável nos traz muito mais benefícios e exige foco e cuidado.

Ninguém é perfeito nem nunca vai ter tudo que a gente procura. Não dá pra esperar que alguém nos complete totalmente: uns terão algumas qualidades, outros terão outras. Sempre. E ainda que todo mundo pode mudar. “Ah, eu queria tanto que meu namorado fosse tão vaidoso quanto meu ex”. Já pensou que você pode fazer com que ele seja? Mostre a ele as vantagens que ele terá sendo mais vaidoso.

É possível, sim, amar duas pessoas ao mesmo tempo mas, se vivemos em uma sociedade monogâmica, temos de enfrentar o conflito entre os nossos sentimentos e os das outras pessoas envolvidas. Por uma questão de ética e respeito. Se você não consegue excluir nenhuma das possibilidades e pretende se relacionar com ambas as partes, terá de pagar o preço. Só não se esqueça de que, talvez, este preço seja ficar sem nenhuma delas.

Beijos,

Lu

P.S: Mas e quando a história se inverte e somos nós uma das opções? — Assunto para o próximo post! ;)

h1

Dá uma preguiça…

20/12/2010

Ultimamente, tenho escutado muitas pessoas, que acabaram de sair de um relacionamento, dizerem que não sabem mais paquerar. Saber, elas sabem. Acontece que elas estão tão inseguras que morrem de medo de tomar na cara de novo. E quando não é insegurança, é preguiça.

Pelo menos em mim, isso é o que mais pesa. Sempre que saio de um relacionamento, no qual já me envolvi com família, rotina e manias do cara, tenho uma preguiça gigantesca de entrar para um novo mundo de alguém, começar tudo de novo, me acostumar e me adaptar a novas características.

“Voltar ao mercado” não é fácil para ninguém e  um primeiro encontro é até legal quando se é novo e há um mundo de possibilidades à frente. Ou quando se espera muito por isso. Mas, quando a gente já viveu centenas de primeiros encontros e muitos deles não passaram disso ou foram pouco além, tudo fica meio chato.

Há perguntas básicas como “você tem irmãos?”, “mora com seus pais?”, “o que você faz?” ou “quantos anos você tem?”. Há papos básicos como os de relacionamentos passados, os sobre o tempo em que estão sozinhos, o que gostam de fazer e até o que esperam de um relacionamento. Há os pedidos mais complexos que envolvem o “fale-me mais sobre você” e o “o que você quer saber?”. Dá vontade de fazer um manual de instruções e entregar na mão do outro. Tenho preguiça de contar a história da minha família (e isso é sempre fundamental) e o porquê de eu não dirigir. Mas não há outro jeito.

Só que o que dá mais preguiça — para não dizer medo — mesmo é o sexo. Ir para a cama com outra pessoa, depois de ter passado tanto tempo entre os lençóis com uma só, de quem você já sabe todos os gostos, fantasias e desejos… “E se eu não agradar? E se tudo for mais ou menos? E não souberem me agradar? E se não gostarem do meu corpo? E se não me ligarem depois?”, as dúvidas martelam a mente e aí, muitos acabam abrindo mão de uma noite que poderia ser supergostosa por insegurança ou por preguiça de descobrir tudo devagar. Não recrimino! Já fiz isso também!

E a preguiça também bate forte quando dá saudade de alguma mania que vocês tinham juntos, seja ela o leite com chocolate de todas as manhãs ou o modo como ele segurava a sua mão quando dormiam de conchinha. Sentir falta de algo assim faz a gente comparar as pessoas, sem se dar conta de que outras coisas, que podem até ser mais gostosas, fariam parte da rotina que poderíamos ter com a nova pessoa.

Dá vontade de só sair com quem a gente já conhece bastante pra não ter de passar por tudo isso de novo… Eu sei.

Dá uma preguiça…

Dá mesmo! Mas se não passarmos por cima dessa preguiça, ficaremos sozinhos. É isso que queremos? Não. Então, levante a cabeça e encare tudo isso numa boa. Quem sabe essa não será a última vez que você terá todo esse trabalhão?

Tomara!

Beijos,

Lu

h1

A dama e o vagabundo

18/12/2010

Conheci meu namorado em um site de relacionamentos. Tirando sua pouca idade (30 anos — tenho 47), ele poderia estar dentro do perfil de namorado que eu queria: atencioso, carinhoso e lindo. Mas me enganei — e feio!

Por três meses, ele morou em um apartamento duplex de alto padrão, bem próximo ao meu condomínio, na zona sul, mas logo saiu do local, ficando sem lugar para morar e foi morar com uma irmã de criação com dois filhos, onde também mora a mãe, que é empregada das duas crianças, em São Bernardo do Campo (no ABC — São Paulo). Trabalhava com estacionamento, que também vendeu em três meses e ficou sem trabalho algum, ou seja, vagabundo mesmo! Dormia às 2h da manhã e acordava ao meio-dia. Vendeu também o seu carro e passou a andar de ônibus e, o pior, a usar o meu carro. Nada contra tudo isso, mas me vendeu gato por lebre?!

Nesses últimos meses, comecei a prestar mais atenção no seu péssimo caráter de mentiroso, folgado, usando meus produtos pessoais e do meu filho de 13 anos, revoltado com as pessoas de bem, sempre criticando e xingando todos no meu ouvido, mal educado, recalcado pela péssima criação que teve, com descontrole no álcool, se tornando uma pessoa indesejável nos locais onde íamos nos divertir — e eu passando vergonha ao seu lado.

Nunca ajudou com as compras de supermercado na minha casa, mas comia de tudo e se servia como se estivesse em sua casa — mas, também, não tinha casa! Um desrespeito total, fazendo barulho pela casa altas horas da madrugada, sem se preocupar se tinha gente dormindo ou não. Enfim, como eu via o estado de penúria dele eu ia bancando — grande erro!

No período de 17 meses, tempo que durou o namoro, tivemos várias brigas, mas sempre acabei voltando — mais um erro!

Neste domingo, tivemos uma discussão, pois além de mau caráter, descobri que era um putanheiro, pois seu telefone tocava muito, com ligações que ele dizia ser sempre engano, mas eram sempre de números que já ligavam, eu via os números e aceitava que era engano mesmo. Neste domingo, resolvi dar um basta a esse cara tão desqualificado e folgado que aceitei que entrasse em minha vida!

Ele pegou sua mochilinha e estava indo embora quando, passando pela sala, se virou rapidamente e bateu a mochila na TV LCD, quebrando-a. Me enfureci e parti pra cima dele, a socos, e o coloquei dentro do elevador para ir embora de uma vez, pois não queria nem ver um fio de cabelo daquele inútil. Chamei a polícia, que veio em minha casa e logo expliquei o ocorrido. Eles, que não são bobos, logo perceberam o tipinho de gente com quem eu tinha me envolvido.

Me meti na maior furada! Sinto-me uma incopetente por ter escolhido um cara tão mau caráter, mesmo tendo percebido que ele um mau elemento nos primeiros três meses, quando a vida dele mudou radicalmente e ele se tornou um sem casa, sem trabalho, sem carro e sem dinheiro. Eu devia ter dado ouvidos a minha intuição e ter caído fora. De gente assim o mundo está cheio!

Mas, antes tarde do que nunca! Acho que me livrei desse marginal… Isso se não resolver me perseguir e fazer algum mal a minha familia pois, pelo que vi, ele é capaz de tudo. Vou à delegacia fazer um B.O., que é o que posso fazer nesse momento… E orar para que ele suma da minha vida para sempre e que, da próxima vez, eu tenha mais sorte e não vá atrás de uma carinha bonitinha, mas ordinária.

Abraço a todos e obrigada pelo espaço para o desabafo!

Palavra da leitora

h1

Não gosto de flores!

14/12/2010

Eu sempre digo que não ligo para presentinhos, chocolates ou buquês de flores. Todo namorado já fica sabendo disso logo no começo.

O problema dos homens é não entender o que está “por trás” do que a gente diz. Se eu digo que não gosto de flores, o cara que está comigo nunca, então, vai me mandar um buquê. Mas será mesmo que eu não gostaria de receber?

Tive um namorado que sabia que eu não gostava de flores porque eu não sei cuidar. Ou eu afogo as pobrezinhas ou elas morrem esturricadas. Mas um dia ele me surpreendeu e mandou um vaso gigante de flores, que nem sei o nome, para a minha casa.

Então eu pergunto:

Qual foi a minha reação?

A) Fiquei com raiva e joguei as flores no lixo.

B) Reclamei: “Poxa! Por que ele mandou justo flores se ele sabe que eu não gosto?”

C) Me emocionei, pulei de alegria e até gravei um vídeo em agradecimento.

Acertou quem escolheu a opção C. Não fiquei feliz por ter recebido flores, mas por saber que nelas havia uma declaração de amor, um gesto de delicadeza e por ter a certeza de que ele havia se lembrado de mim.

Eu não ligo para nada material mesmo, mas eu ligo — e muito — para declarações. E a maioria das mulheres é como eu.

Há quem diga que só gosta de declarações quem é carente e precisa o tempo todo ter a certeza de que é amado. Não é bem assim. Declarações e surpresas servem para aquecer qualquer sinal de frieza que pode acontecer (e sempre acontece!) em um relacionamento.

Um namorado disse que não poderia passar o Reveillón comigo por um motivo bem bobo que não vem ao caso. Fiquei muito chateada e esperava que ele mudasse de ideia a qualquer momento. Mas eu não disse nada. Fui viajar com a minha família para o sítio dos meus tios e, quando deu 20h do dia 31 de dezembro, ele apareceu na porta do meu quarto. Até chorei de emoção. Ele não poderia ter feito surpresa mais linda!

Mas e quando a gente espera demais e não é supreendida nunca? É… dói.

Eu sempre dou a dica e, muitas vezes, falo na cara o que eu espero. Outra vez, um namorado deu uma mancada forte comigo e foi viajar para um canto qualquer. Ele disse que estava arrependido do que tinha feito e eu pedi, então, uma prova de amor: que ele pegasse um avião e voltasse para me ver. Ele não o fez. E eu chorei.

Talvez ele não me amasse. Ou talvez ele fosse do tipo que não se liga em indiretas — nem em diretas. Paciência. O grande problema é a gente ficar esperando por algo que provavelmente não acontecerá. O grande problema é a gente assistir a muitos romances de cinema e esperar que nossos homens nos escrevam cartas de amor até depois de mortos.

Depois de muito esperar e depois de tantas expectativas frustradas, eu acredito que o melhor que eu tenho a fazer é falar logo de uma vez o que eu quero. Ou não esperar por mais nada. Se está certo ou não, eu não sei.

E aí?

Beijos,

Lu

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 45 outros seguidores