Uma das verdades sobre mim é que na hora de flertar eu sou muito tímida. Dou conselhos particularmente bons e pareço conhecer alguns segredos da conquista. Mas, como de costume, quando chega a minha vez tudo se perde. Eu fico boba, quente, corada e não consigo nem sair do lugar. A coisa mais difícil é eu sair do meu canto pra dar em cima de alguém. Ultimamente, a coisa piorou a ponto de eu não conseguir nem encarar uma pessoa por alguns segundos.
A minha teoria pra isso é que eu me tornei uma dessas pessoas que tem pavor de fora. Olhando pra dentro, a impressão que dá é que tomar um fora é contar pro mundo todo que eu não tenho mais 18 anos, não estou tão bonita, enxuta e à disposição como já estive um dia. E é também constatar uma triste realidade: com esse tanto de mulher novinha e bonitinha circulando, vai ser difícil alguém se interessar por mim. Caraminholas da minha cabeça? Pode até ser, mas quando tomo um fora é exatamente assim que penso.
Aí que esses dias num vôo de volta pra Goiânia aconteceu o que nunca tinha acontecido antes: um cara muito lindo sentou-se ao meu lado. Muito simpático também. E cheiroso. Resumindo: vim a viagem inteira pensando que eu deveria falar com o cara, convidá-lo pra um café. Até esqueci o meu pavor de avião. Nisso tudo, eu refleti e cheguei a uma conclusão: preciso arriscar mais. Não há como crescer e evoluir sem arriscar, e errar o alvo faz parte disso. Na linguagem do amor, tomar foras faz parte de crescer.
Foi a coisa mais difícil que fiz na semana e, depois de muito ensaio e suor na palma da mão, puxei papo com o cara. A conversa fluiu agradável e fácil. Convidei-o, então, para um capuccino, claro, perguntando antes se ele já não era comprometido. Infelizmente ele tinha namorada, que inclusive o esperava no aeroporto. Foi uma pena, mas valeu absolutamente pela sensação de liberdade que eu senti. Eu tomei novamente as rédeas dos meus desejos e vontades para mim. Foi tão maravilhosa a sensação que, no fim, o que menos importou foi o fora que eu tomei (mesmo depois de dispensar meu convite, continuamos com o bate-papo agradável até pegarmos as malas na esteira).
E desse dia pra cá eu tenho estado assim, mais ousada. Lanço mais olhares, flerto mais, me solto mais. E os frutos colhidos tem sido ótimos, nem tanto em termos de ficar com outras pessoas (saio pouco e ainda tô naquela fase de achar que homem é a última coisa que preciso), mas pra mim mesma. Me sinto mais bonita, percebo que as pessoas olham mais pra mim. A confiança em si mesmo automaticamente volta os olhares pra você.
Quis dividir isso porque já percebi que muitas pessoas que nos visitam aqui no blog estão com a autoestima afetada, muitas vezes por pessoas que não as valorizaram como deveriam. Fica o recado: acreditem em vocês, libertem-se e os frutos virão. Se alguma coisa sair fora dos planos, não criemos pânico: acontece, e é só errando que a gente aprende a fazer certo.
Beijo!











