Vocês já devem ter lido essa piadinha sem graça que vez ou outra chega às nossas caixas de e-mail:
“Contos de Fadas do Século XXI”
Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:
– Você quer casar comigo?
Ele respondeu:
– NÃO!
E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.
O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER.
FIM.
(Luís Fernando Veríssimo)
Acho essa piada totalmente sem graça, primeiro porque “nunca lhe faltava nada” é uma grande mentira. Todo mundo precisa de amor. Não dá pra ser feliz sozinho. Sempre haverá um espaço vazio dentro da gente, mesmo que tenhamos realizado todos os nossos objetivos. Segundo porque compras, viagens e cerveja não fazem ninguém feliz de verdade.
Mas será que as mulheres estão realmente acreditando nessa ideia? Já ouço muitas amigas dizerem que não querem se casar, que preferem cuidar da carreira, do corpo, de viagens…
Outro dia me peguei pensando “ah, agora não é hora de me envolver. Estou investindo em meus negócios, tenho muitos planos em mente e um homem agora só iria me atrapalhar”. Opa! Esta sou eu mesmo? Será que estou dispensando o amor em prol de outras coisas? Logo eu que acredito tanto em “viveram felizes para sempre”?
Tenho saído com alguns caras, mas não tenho mais sentido nada especial por eles. Eles vêm e vão da minha vida como se não tivessem feito grande diferença… Por quê? Será que é só porque simplesmente “não bateu” ou porque estou me tornando uma daquelas mulheres que sempre recriminei, que vivem o tempo todo preocupadas consigo mesmas e quando se dão conta, estão sozinhas e encalhadas?
Será que depois de tantas patadas e pés na bunda, estamos nos tornando mulheres insensíveis?
Conversando com uma amiga, chegamos à conclusão de que andamos é com preguiça. Sim, preguiça de passar por todas as etapas da conquista, do “começar a sair”, do “conhecer os amigos, a família…”, da primeira transa, de querer agradar… Preguiça de investir sem saber se vai dar em alguma coisa ou não.
Será que estamos nos acostumando com a solidão?
Eu espero que isso seja só uma fase — e que passe logo, porque não quero ser bem-sucedida na carreira, por exemplo, e um fracasso no amor. Não quero.
Beijos,
Lu