Eu e o Marcelo* nos conhecemos em uma comunidade do Orkut, que falava sobre teatro. Criei um tópico sobre um teste de uma peça que eu estava fazendo, para a qual procurávamos atores exatamente do “tipo” dele. Trocamos contato, conversamos sobre o texto… Achei o bofe simpaticíssimo, com ótima articulação, linda voz, além de muito bonito nas fotos. Só que havia um problema: eu e o resto do elenco éramos de São Paulo enquanto ele, do Rio de Janeiro. Marcelo afirmou que isso não era um obstáculo e que ele poderia muito bem morar em “Sampa” — inclusive, já tinha morado por um tempo.
O diretor da peça achou que Marcelo era muito velho para o personagem (um garoto de vinte e poucos anos), já que tinha mais de trinta. Por isso, Marcelo acabou nem participando do teste. Ainda assim, mantivemos contato: nos falávamos quase todos os dias por MSN e ele me ligava umas três vezes por semana.
Depois de alguns meses, acabei me apaixonando. E ele também. Começaram as ligações melosas, os planos, as declarações, os corações disparados…
Já que eu visito o Rio de Janeiro constantemente, resolvi viajar para conhecer o gato. Marcamos de nos encontrarmos em um restaurante na Barra da Tijuca. Cheguei antes (encontro assim, é melhor você ver o cara chegando, pra dar tempo de sair correndo se for o caso) e fiquei esperando pelo cara em uma mesinha do lado de fora.
Ele me ligou, dizendo que já tinha chegado e perguntou onde eu estava. Foi então que vi um cara de costas, falando ao celular. Fui em frente e dei uma cutucadinha nas costas dele. Quando Marcelo se virou, nos olhamos nos olhos, sorrimos e nos abraçamos muito forte. Fomos nos separar do abraço e ele me beijou.
Passamos o final de semana juntos, nos amando, nos curtindo e fazendo planos para o futuro.
Voltei para São Paulo e nossas conversas ficaram cada vez mais apaixonadas. Ele falava até em casamento. Falava em filhos, Brasil! Dizia que queria uma menininha que fosse a minha cara…
Foi tudo muito forte, muito intenso. Dias depois ele veio para São Paulo. Nos encontramos, ficamos juntos…
Quando começamos a namorar, começou o desentendimento. Ele achava que mandava em mim mesmo à distância, queria controlar todos os meus passos. Me vigiava na internet, perguntava quem era tal pessoa que tinha me deixado um “scrap”, brigava comigo por algum recado que deixei para alguma pessoa… As coisas começaram a ficar tensas. Mesmo assim, eu estava apaixonada — e cega.
Certa vez, ele veio para São Paulo e marcou de me buscar em casa às 21h. Era quase meia-noite e ele não tinha aparecido. Eu já estava preocupada. Liguei para o celular dele umas dez vezes e só chamava. Fiquei nervosa e fui me deitar. Lá pelas 2h da manhã ele me liga, dizendo que não podia atender o telefone e que eu não tinha respeito por ele. A desculpa era de que um amigo tinha passado mal e ele tivera de levá-lo ao hospital. Perguntei porque ele não tinha me avisado e começamos a discutir feio. Ele gritava comigo, dizendo que não tinha que me dar satisfação de nada, que estava indo para a minha casa e queria que eu estivesse pronta em dez minutos.
– Agora eu não vou sair mais! Já estou deitada!
– Vai sim!!! Vou te esperar na portaria!
– Não vou, Marcelo. Tá tarde!
Entre gritos e berros, desligamos o telefone.
Chorei, morri de ódio… Mas caí na realidade: com certeza, se tivéssemos discutido assim pessoalmente, ele teria me batido. Aí lembrei do quão estúpido ele era na cama. Aquilo não era só uma fantasia sexual masculina de “mandar” na mulher, não. Ele era MESMO um cara violento! Ainda bem que a máscara caiu logo. Eu achava o cara perfeito: romântico, educado, inteligente… Mas é porque eu não o conhecia de verdade.
Não nos falamos por três anos. Hoje, quando comecei a escrever esse post, ele me chamou no MSN (oi?). Falamos amenidades e eu inventei que estou namorando. Aproveitando a deixa, ele contou que se casou e que vai ser pai.
É… Ainda bem que não foi comigo!













