Hoje, 15 de outubro, Dia dos Professores, lembrei-me de alguns tantos professores especiais, que me fizeram crescer, aprender, evoluir — alguns sofrer — e que levarei para sempre na memória.
Como toda (ou quase toda) menina, já me apaixonei por um professor (ou mais de um) e sofri, chorei, sonhei… O legal era que eu sempre tinha um bom motivo para ir à escola: se eu “amava” o professor de Matemática, me dedicava horrores às continhas, só pra impressionar (pfff!).
Quando cheguei ao colegial (Ensino Médio?), eu já estava grandinha e sabia o que queria. Me apaixonei pelo meu professor de Biologia.
Era um tal de imaginar cenas proibidas para menores naquelas bancadas do laboratório de ciências… (Fantasiar, tudo bem, né? Acontece que eu contava pra ele — sim, era do tipo oferecida mesmo!) Chegava no ouvido dele, depois da aula, e falava tudo o que eu tinha visualizado ali. Ele era solteiro, novo (devia ter uns 28 anos) e muito “bem apessoado”. Mas, como professor ético que era, tinha o maior respeito por mim e não dava trela à nenhuma das minhas cantadas.
– Quero que você me ensine, na prática, como funciona esse negócio de reprodução, de “azão-azinho”… Rola?
– Lu, vá pra casa… vá estudar, vá… – Ele desconversava.
No último dia de aula do meu último ano da escola, vi ele entrando no carro para ir embora. Debrucei na janela e perguntei se ele poderia me dar uma carona.
– Você não vai se arrepender, prometo!
– Ah é? Então, tá. Já que as aulas acabaram mesmo, entre. – Ele respondeu.
Ah, tremi na base! Dei uma risadinha e falei:
– Estou brincando. Não posso ir com você. Meu pai está vindo me buscar. Mas a gente pode ficar um tempinho aqui mesmo, não?
– Ok… Entra no carro.
Eu tinha tanta certeza de que ele recusaria qualquer coisa, que falava qualquer besteira (inclusive baixaria) na cara dele. Mas, dessa vez, ele havia me surpreendido. Certo, eu já era maior de idade e não era mais sua aluna. Não havia motivos para que não rolasse nada entre nós.
Entrei no carro.
Eu já tinha falado tantas vezes que queria um “tico-tico no fubá” com ele que, agora que estava ali, frente a frente, quase boca na boca, eu não sabia o que fazer. Sim, de fato, eu queria. Mas eu queria muito mais. Eu era apaixonada por ele! Fora que eu não podia confessar que era só uma virgenzinha tentando se passar por mulher fatal para “conquistar” o homem mais velho…
– E aí? — Ele disse, abrindo o botão da calça.
– Vou sentir sua falta.
[pausa]
– Preciso ir. Meu pai chegou. Tchau, professor! Obrigada por tudo – dei-lhe um selinho e desci do carro.
Não olhei pra trás e nunca mais o vi novamente. Até hoje eu me pergunto o que será que teria rolado se eu tivesse ficado ali…
Sonhei com ele durante anos e anos… Seu jeito de falar, seu domínio sobre a matéria, sua imposição nas aulas…
E sonhei com outros professores também. Chega na faculdade, a gente já é “adulta”… Até rola uma reciprocidade mas, prefiro não comentar.
Beijos,
Lu