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Desculpas e bolos

02/05/2013

Luciana SabbagAté brinco com minhas amigas que sou a rainha dos bolos. Não os de chocolate nem os confeitados. Sou a rainha dos encontros desmarcados na última hora (quem nunca?). Ainda não entendi porque isso acontece, se a culpa é minha ou dos outros, mas aprendi a lidar com os furos de uma maneira mais tranquila. O mundo não acaba se o cara fura. Aceitemos, a vida continua.

Antigamente, quando eu tinha um encontro marcado, passava dias me preparando para tal. Comprava roupa, lingerie, marcava manicure, depiladora, cabeleireiro… Hoje já não me preocupo mais (tanto). Seja o encontro que for, com quem for.

Uma vez, contei aqui, que gastei R$ 800,00 para sair com um cara que me deixou esperando no sofá da sala pela eternidade. Falei para a minha chefe que eu precisava sair mais cedo do trabalho porque seria madrinha de um casamento, só para poder correr para o shopping e comprar uma roupa linda para sair à noite. Passei o resto da tarde no salão de beleza, me preparando para o tão esperado momento. Algum tempo antes da hora combinada, tomei um banho, me perfumei, fiz uma maquiagem incrível, vesti a lingerie nova, a roupa nova e sentei-me no sofá, onde fiquei imóvel, para não amassar nada. Havíamos combinado que ele passaria para me buscar às 20h. Às 20h30 ele ligou, afirmando estar no trabalho ainda e pedindo que eu o aguardasse telefonar novamente.

Esperei. O relógio marcava 22h e eu estava mordendo os lábios de ansiedade. Nada de ele me posicionar. Às 22h30 ele telefonou:

– Lu, ainda estou no trabalho, mas não vou demorar, prometo. Te ligo assim que sair daqui.

Ok, esperei. 23h, meia-noite, 1h… Às 2h da manhã eu já estava com câimbras de tanto ficar na mesma posição. Às 2h30 enviei-lhe uma mensagem: “Onde você está? Ainda demora?”. Não tive resposta. Às 3h da manhã, comecei a chorar e, como a maquiagem já estava ficando toda borrada, resolvi me “desmontar”. Este foi o meu primeiro grande bolo. Ele? Nunca mais ligou. Mas não morreu, não.

Outra vez eu passei duas semanas combinando um encontro com um cara que estava fora do Brasil. Ele dizia que não via a hora de voltar para me encontrar e eu, ansiosíssima, novamente fui ao shopping, comprei roupa, sapato… No dia marcado, algo me dizia que o encontro, que seria um almoço, não ia acontecer. De manhã, mandei mensagem por whatsapp perguntando se ele já estava no Brasil. Nenhuma resposta. À tarde, mandei outra. Nada.

Já era noite quando ele ficou online no Facebook. O bolo já havia sido dado e nada de ele se desculpar. Como eu já não aguentava ficar quieta olhando para o nome dele com a bolinha verde ao lado, falei: “aconteceu alguma coisa? Você sumiu, fiquei preocupada”.

– Nossa, Lu! Eu esqueci meu celular no táxi, a caminho do aeroporto, e só percebi quando cheguei no Brasil. Agora estou esperando meu amigo chegar para irmos até o shopping comprar outro telefone.

– Caramba, que chato! Então nós não vamos sair?

– Não, Lu. Preciso resolver esse negócio.

– Mas não podemos nos encontrar depois que você comprar o telefone?

– Pode ser, mas eu não sei quanto tempo vou demorar. Eu te ligo.

Como, obviamente, ele não ligou, fui a um bar com minha melhor amiga (ah! As melhores amigas salvadoras da pátria!) para chorar as pitangas e fazer valer o novo corte de cabelo, que eu havia adquirido horas antes no salão de beleza.

Esse tipo de coisa causa um sentimento tão ruim de, sei lá, desilusão… que dá vontade de bater na porta do fulano e gritar “escuta aqui, queridinho!”. É muito decepcionante ver que suas horas, investidas em se cuidar, se planejar ou mesmo em pensar no cara, foram jogadas no lixo. É um grande balde de água fria! Não importa a desculpa, o dano à nossa autoestima é o mesmo.

Hoje, se eu percebo que o fofo não está tão empolgado quanto eu, deixo para criar expectativas só depois que ele confirmar o encontro, no mesmo dia. Prefiro fazer tudo correndo a ficar me desgastando com antecedência.

Pode ser que eu me engane, claro. Há pouco tempo, por exemplo, eu tinha certeza que o cara ia furar. Acabei que nem fiz as unhas. Ele me ligou 2 horas antes, perguntando se o encontro estava de pé e não me restou outra coisa a fazer senão voar para o banheiro a fim de tentar tirar o atraso da beleza. Por incrível que pareça, consegui fazer mão, pé, esfoliação, hidratação, escova no cabelo e uma mega maquiagem a tempo de sair. Tá certo que eu deveria estar meio preparada (sempre), mas faço as unhas uma vez por semana e ele apareceu justamente na noite anterior ao dia em que tenho manicure. No fim, não criei grandes expectativas nem joguei meu tempo fora. E isso me deixou aliviada. Até porque agi da mesma maneira depois e, dessa vez, ele furou (como eu previa). Não sofri tanto porque não me preparei. Fiquei com raiva, é claro, mas pelo menos não gastei meu dinheiro nem meu precioso tempo em vão.

Fica aqui o meu conselho para você, mulher: não se desgaste. E, se eu puder dar um conselho aos homens, que seja “pelo amor de Deus, aconteça o que acontecer, não desmarquem a porra do encontro!”.

Beijos,

Lu

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Pode ser pra já?

30/04/2013

Luciana SabbagCalma, paciência, espera. Isso nunca combinou comigo. Nasci prematura e até hoje não consegui aprender que tudo na vida deve ter a hora certa para acontecer. Eu quero tudo para ontem, quero que as coisas se realizem agora, quero respostas no máximo até amanhã, na hora do almoço. É por isso que não tenho ânimo para dieta, academia, jardinagem ou tratamentos a longo prazo. Ali estão os artesanatos inacabados porque eu não tive paciência de esperar a tinta secar. Resultados que demoram a aparecer me deixam extremamente impaciente e, se eu não os quiser de verdade, do fundo do coração, desisto deles. E não sou a única a agir dessa maneira. Conheço muita gente assim.

O problema é que esse imediatismo afeta os nossos relacionamentos também. Quando nos apaixonamos, já imaginamos mil situações ao lado da pessoa e queremos porque queremos que elas aconteçam logo. Parece que o tempo corre ainda mais devagar quando estamos apaixonados. Esperar pelo final de semana para sair com a pessoa é um sacrifício absurdo. Esperar que ela volte de uma viagem parece impossível. Aceitar que ela tenha compromissos nos quais você não estará incluído é mais difícil ainda.

Apitou o alarme da paixão, já sei que a ansiedade vai tomar conta dos meus dias. Já sei que vou olhar o celular quinhentas vezes por dia esperando por uma mensagem. Se é segunda-feira, já quero saber o que faremos na sexta. Uma vez, ouvi que isso aí é desespero de solteirona querendo casar. Não é! O que nós, imediatistas, queremos é viver o que é melhor — e logo. O começo de qualquer relacionamento é inseguro, desgastante. Não que queiramos pular etapas, não é isso. A conquista é uma fase gostosa, sim, mas melhor que o joguinho do início é estar junto de verdade, sem preocupações. É fazer planos, é dividir momentos, é ter intimidade, é trocar declarações e carinho, é amar, com toda a intensidade que este sentimento merece.

A parte mais complicada desse imediatismo em nossos relacionamentos é quando a outra pessoa ainda não está “pronta para se envolver”.  A maioria das pessoas que eu conheço (homens ou mulheres), tem receio de se relacionar, por medo de sofrer. Então, esse tipo de gente enrola, adia, “deixa acontecer”… Até que se sinta pronta para engatar um namoro. Os imediatistas enlouquecem com isso! E sofrem. Eu me surpreendi em minha última paixão: fiquei exatamente um ano esperando pelo cara. Me surpreendi pelo tempo que consegui esperar, mas não com minhas reações. Sonhei, me declarei, chorei, imaginei, chamei e sofri. Como sofri!

Por fim, nada aconteceu.

Acho que nunca namorei ninguém por quem tive de esperar. Todos os meus namoros começaram pra valer logo que nos conhecemos. Assim, simples: saímos, ficamos, nos gostamos, começamos a namorar. Até aconteceu de um cara comprometido terminar o namoro no dia seguinte ao que me conheceu. E eu já fiz a mesma coisa, há muitos anos. É assim que eu penso: se apaixonou? Então vai, se joga! Sempre que demorou demais para acontecer, não rolou. Acredito que eu só combine com pessoas que pensam como eu — ou que estejam na mesma vibe de se envolver de verdade — e é por isso que, se o negócio está andando a passos de lesma, eu já acho que não vai dar certo. Posso estar errada, eu sei — e estou! Todo mundo diz, dos meus amigos ao meu pai (meu grande conselheiro) — mas se eu não consegui sequer esperar para nascer, vou conseguir aguardar até que o cara esteja pronto? Ta aí algo que precisa ser trabalhado com afinco dentro de mim.

Pessoas como eu, que se jogam de cabeça nos relacionamentos costumam sofrer mais. Em compensação, eu garanto, nossos casos, por mais curtos que sejam, são mais intensos que os de qualquer pessoa com parcimônia. E me proporcionam muito mais experiências e emoções, aposto. É claro que o equilíbrio é bom, mas de que vale a vida se não há intensidade? “Hoje o tempo voa, amor, escorre pelas mãos (…) vamos viver tudo que há pra viver, vamos nos permitir”.

Lu

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Ei, cara legal! Ela é a nora que sua mãe pediu a Deus?

10/01/2013

Luciana SabbagCada vez mais eu tenho a certeza de que o tipo de cara legal para mim não serve para mim. Ou melhor, eu não sirvo para ele. Digo, não sou o tipo dele. Confuso? Calma.

O cara legal que eu gosto é estudado, divertido, alegre, cheio de amigos, adora ler, escreve bem, fala melhor ainda, é bonito, simpático, educado, abre a porta do carro, paga o jantar, só me deixa andar do lado de dentro da calçada, tem um sorriso encantador, fala vários idiomas, fez mestrado… Ok, chega!

Esse cara legal e todos os outros caras legais que eu conheço até se relacionam com vários tipos de mulheres, mas só se casam com um único tipo: o que eu defino (defini aos 20 anos de idade, ainda na faculdade) como “chuf”. Chuf é aquela garota sem sal, que saiu de uma linha de produção de meninas de cabelos claros, lisinhos e bem cuidados, que falam baixo, sem expressar muita opinião, é claro.

Mulheres que se comportam muitíssimo bem à mesa, sentam-se sempre de pernas bem fechadas, nunca encostam as costas no sofá e conquistam as sogras logo de cara. Estão sempre com as unhas pintadas de Risqué Renda e não gostam de maquiagem carregada. Elas passam apenas um rímel Givenchy porque maquiagem demais é vulgar. Elas riem baixo e passam uma ótima impressão na rua. Só que elas adoram mandar (principalmente nas empregadas! Ah, como mandam nas empregadas!) e se acham superiores a todas as outras mulheres, principalmente às que não são “chufs” como elas. Quando se juntam, só sabem falar de dieta e sempre, mas sempre mesmo, afirmam que estão gordas (mesmo estando 10kg abaixo do peso ideal). Elas compram sapatos na mesma loja e fazem questão de estar sempre na moda. Quando viajam, vão sempre para os mesmos lugares. Depois dizem que se acabaram em Vegas ou Ibiza, quando, na verdade, só vestiram uma saia curta, dançaram e tomaram um drink.

Essas meninas são aquelas que viajam para os Estados Unidos e voltam cheias de cremes Victoria Secrets, com cheiro (terrível) de baunilha. Usam brincos pequenos e pulseirinhas da Vivara. Estão sempre nas mesmas baladas e nos mesmos restaurantes da moda, mas não sabem fritar um ovo e, na única vez que tentaram cozinhar, queimaram o arroz. Preferem mandar na empregada, claro.

Elas estudaram na FAAP, no Mackenzie ou até fizeram pós-graduação no exterior, mas… o sabor desses picolés aí continua sendo o de chuchu. O que os caras legais vêm nas “chufs”? Ainda não descobri. Talvez eu nunca descubra. Ou talvez eu até saiba, mas prefira acreditar que um dia um cara legal cairá na real.

PS: Desculpe se você for uma “chuf”, não quero lhe ofender.

Lu

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A obrigação do amor verdadeiro

07/12/2012

Deborah PimentaTodo término segue mais ou menos um protocolo: conversa séria, “acho que será o melhor para nós dois”, mudança de status no facebook, explicar para os amigos o que aconteceu, chorar, se descabelar, se reerguer e replanejar a vida. O de sempre, às vezes com mais drama, outros com mais violência e alguns até com mais sexo.

Mas a ordem é basicamente essa e inclui um detalhe bastante curioso que se trata dos amigos dando o seguinte conselho: “Puxa, não fique assim. Logo você encontra o cara certo.” Ou o equivalente: “Certeza que o amor da sua vida está te esperando em algum lugar.”

É realmente curioso pois não considero “encontrar o amor eterno” ou “encontrar o cara certo” necessariamente objetivos de vida.

Não digo que é dispensável, ou que não seria bem legal encontrar alguém com quem compartilhar o resto da vida. Mas é que eu vejo esse acontecimento como um presente do acaso e não uma obrigação.

memyselfandIDe certa forma, parece que há uma lei para que você encontre a pessoa certa um dia, como se esta fosse a coisa mais óbvia a acontecer. Mas reparem que o ciclo da vida é nascer, crescer, se reproduzir e morrer. A parte da reprodução não está necessariamente relacionada com um amor eterno, a não ser que você seja uma donzela em perigo na torre guardada por um dragão, esperando um príncipe de cavalo branco dos contos de fadas.

Então quando você diz aos seus amigos que, sim, seria legal, mas você não está pensando nisso agora e está mais interessada em colocar em prática todos aqueles planos dos quais abriu mão por conta do relacionamento e até aproveitar as boas oportunidades que a solteirice trazem, se é que me entendem, seus amigos dão aquele sorriso cheio de compadecimento e dizem que você não pode desistir do amor só porque um relacionamento deu errado.

Só que, gente, não tem ninguém desistindo do amor! Eu sei que todo mundo espera encontrar um amor, alguém para dividir as alegrias e as tristezas, mas também acho que a prioridade é estar ok consigo mesma, ao invés de achar que encontrar o amor verdadeiro te fará automaticamente feliz.

Para quem acha isso, eu tenho uma péssima notícia: o amor te trará uma série de novos desafios e, se você não estiver madura o suficiente para enfrentá-los, tudo o que você terá será mais frustração e uma nova busca à alma gêmea perdida pela frente.

Acho super necessário fazer aquela autorevisão e buscar as lições que você pôde tirar do relacionamento fracassado para ser alguém melhor e seguir em frente. Sim: seguir em frente e SOZINHA. Você precisa desse tempo só consigo mesma para amadurecer.

Em vez disso disso, vejo muita gente parecendo entrar em uma espécie de stand by enquanto a pessoa certa não aparece.

Eu penso que para um relacionamento dar certo não basta só amor. Os seus objetivos, sonhos e pontos de vista precisam estar alinhados. É preciso encontrar uma pessoa que esteja tão disposta quanto você a fazer dar certo. E se alguém me disser que isso é muito difícil, eu vou dizer que chegamos onde eu queria.

É tão raro encontrar alguém que esteja na mesma sintonia que você que, caso aconteça,  só pode ser um presente. Muito diferente de uma obrigação ou destino pré-determinado.

Acho muito mais fácil evoluir como pessoa dessa forma. E aí, se por um acaso o universo colocar na sua vida alguém que esteja alinhado com você e tão evoluído quanto, o conceito de “pessoa certa” vai fazer muito mais sentido.

Deka

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Totalmente diferente

17/03/2012

Há quem diga que todo homem é igual, que só muda o endereço, que homem é homem em qualquer lugar do mundo etc, mas posso afirmar que não é bem assim.

Em uma viagem ao Oriente Médio, conheci um cara, no mesmo dia em que eu aterrissei.

Eu sempre soube muito bem como é o comportamento dos árabes, por ser de família libanesa e por já ter namorado um cara daquelas bandas por um bom tempo, e comprovei minha teoria de que “eles gostam mesmo é de mulher”, assim que cheguei lá. Nunca fui tão olhada, tão cantada nem tão bem tratada na vida, por homens, como fui enquanto estive lá.

O gato trabalhava no primeiro lugar onde entrei. Foi paixão à primeira vista e acredito que de ambos os lados. Trocamos olhares e sorrisos por horas, conversamos e ele até cantou uma música linda pra mim, que dizia algo como “procurei em todas as pessoas do mundo alguém como você…”. Poderia parecer xaveco furado e eu até pensei que fosse, mas com o passar dos dias eu vi que era verdade.

Trocamos telefone e eu o convidei para sair alguns dias depois. Ele disse que não podia porque tinha um jogo com os amigos. Eu também não tinha todo o tempo do mundo, afinal, havia combinado de ir para uma balada com minhas amigas. Então ele foi até o hotel em que eu estava hospedada. Assim que ele chegou, eu notei que ele era mais novo que eu. No trabalho, ele usa roupa social e aparenta ser mais velho do que é. Eu estranhei e perguntei a idade dele. A resposta me deixou meio sem chão: 21 anos. Eu tenho 28 e nunca saí com um cara tão mais novo assim. Mas, como eu achava que aquilo tudo era fogo de palha e, como eu estava viajando e queria mais era aproveitar, tasquei-lhe um beijo, ali na calçada do hotel, quando ele disse: “vamos subir?“. Eu hesitei porque nem sabia se podia entrar com alguém no quarto, mas fui.

Só tínhamos meia hora até que minhas amigas chegassem para me buscar, então eu avancei o sinal. Fui com tudo pra cima do menino até que ele me barrou: “você está indo rápido demais!”. “Mas nós só temos meia hora! Temos que ser rápidos!”, eu disse. Ele insistiu que não queria daquele jeito e eu não me importei. Então, veio a surpresa:

– Você já fez isso antes?

– Claro! – respondi.

– É a minha primeira vez.

Entrei em choque por alguns minutos e fiquei sem saber o que fazer. Então, agi como um homem e disse: “tudo bem… só vamos fazer o que você quiser”. Sem mais detalhes da minha insistência em “desvirginar” o garoto, quando estávamos quase lá, ele falou que achava que não queria mais. Perguntei se ele tinha certeza e ele afirmou: “estou esperando a mulher da minha vida, a pessoa com quem eu vou me casar”. Eu respeitei. Vesti minha roupa e pedi desculpas por ter insistido. No fundo, eu sempre tive a fantasia de iniciar um rapaz na vida sexual mas, com ele, tinha que ser especial. Ele merecia. Assim como não foi pra mim, mas como eu sonhei que fosse.

Continuamos nos vendo até o dia da minha partida. Na última noite, depois de beijos e abraços apertados, a declaração: “Lu, eu gosto muito de você e nunca vou te esquecer. Promete que nunca vai se esquecer de mim?”. Eu prometi. Assim como prometi que voltaria para encontrá-lo. E que ele seria meu namorado e que eu seria a primeira mulher da vida dele.

Quando voltei para o Brasil, ficamos dias trocando mensagens pelo celular e pelo Facebook. Promessas, juras e frases como “tudo o que eu preciso é de você” chegavam de madrugada pra mim. Até indiretas daquelas que amamos, como “sinto sua falta” e “meu coração pertence a você” postadas aleatoriamente, em inglês (para que eu pudesse entender), no Facebook. Meu coração disparava a cada sinal de mensagem no telefone. E já era rotina olhar o mural do perfil dele para saber se tinha mais alguma declaração pra mim.

Com o passar do tempo, fui postando as fotos da viagem em meu perfil do Facebook. Postei tudo: as fotos das baladas, as fotos dos outros caras que conheci… e a foto dele comigo.

Minha amiga comentou: “mal sabe ele que você ficou com outros, né? Haha”. Pensei “ele nunca vai se ligar. Não tem nenhuma foto comprometedora. São todos meus ‘amigos’, ué!”. Mas, aí, a partir do dia em que postei as fotos, ele parou de responder minhas mensagens no celular. Como ele havia comentado que estava trocando de aparelho, achei que talvez ele não estivesse recebendo o que eu mandava. E não me importei.

Foi aniversário dele e eu deixei uma mensagem de parabéns em seu mural. Ele não respondeu, mas também não respondeu a ninguém mais. Alguns dias depois, uma garota comentou no meu post  na página dele: “aaaah, vocês combinam!”, em árabe. Fui responder e respondi errado. Ao invés de escrever “eu também acho”, escrevi “eu também” — que fique claro que eu não falo árabe. Ela, então, perguntou “você também o quê?” e, quando fui responder, eu havia sido excluída dos amigos dele.

Fiquei desesperada, sem entender o que estava acontecendo. Mandei um milhão de mensagens para ele e nada de resposta. No dia seguinte, ele postou, em árabe, no mural dele (que é aberto e eu ainda consigo ver): “Nessa vida, pessoas vêm e vão. Eu não machuco ninguém, nunca machuquei e hoje eu estou muito magoado. É melhor estar sozinho. Já me acostumei”. Uma amiga traduziu pra mim. E aquela garota estava lá nos comentários, dizendo “foi só mais uma, querido. Você vai ficar bem”. Meu coração se quebrou em pedacinhos.

#prontocaguei

Eu, que queria ser a pessoa mais especial da vida dele, acabei com toda a magia. Um garoto tão puro, tão amoroso, tão sincero, tão especial… Tentei me justificar, falei que aquilo foi antes de ficar com ele e que aqueles caras eram só amigos, que meu coração era dele etc etc etc, mas ele me ignora. Escrevo este texto com um grande nó em meu peito… Quando eu já pensava que não haviam meninos como ele no mundo, que todos os homens eram iguais e que eu deveria só me divertir… Acabei com tudo. E pra quê, né?

Beijo,

Lu

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A exigência é o que leva à preocupação

31/01/2012

Dia desses, ouvi uma conversa que me fez pensar por horas. Duas amigas no metrô de SP falando sobre relacionamentos que não deram certo, erros e sucessos com os homens, dicas, etc. Por sorte, as 10 estações que faltavam para chegar ao nosso destino — já que como bom jornalista tive a atenção de descobrir que morávamos no mesmo bairro –, garantiram mais do que risos ao longo da viagem, durante a forte papagaiada. Renderam discussão. Essa que vos compartilho agora em detalhes que recordo, inclusive com tons de vozes e cores. Vamos ao caso.

Beth* namorava há 4 meses. Um bancário. Moreno, estatura mediana, gostava de judô e futebol. O tal namorado era, segundo nossa protagonista, atencioso, mas muito ciumento. Tinha grana, carro, o próprio apartamento. E queria casar. Mas Beth se dizia muito exigente (?) e não estava pronta para o matrimônio. Mesmo com sua ânsia pela maternidade, pelos domingos a dois, as compras no supermercado e a fugidinha para o motel, o véu, a grinalda, a segurança de um peito masculino numa terça-feira de TPM. E o companheiro era tudo isso. Pé no chão, seguro de vida, de carro, de casa, poupança, pagamentos à vista. Friamente, terminaram. Beth alegou que o tal fulano era tudo o que uma mulher sonhava, mas não era para ela.

Duas semanas depois, conheceu um homem que era totalmente diferente do acima citado. Era músico, porra louca, morava com os pais, fumava maconha. Não usava terno, tampouco queria casar. Não tinha carro, fazia esse tipo ecochato, natureba, vegetariano, que vive em cima de uma bicicleta. O estilo de cara que mulher teme apresentar aos pais. Aquele que diria “Eai?”, para o sogro. Que reclamaria da comida da sogra. Sincero, por vezes grosseiro.

“Vamos lá, amiga. Não precisa fumar, só fique conosco e participe do papo, ela disse”, explicou Beth sobre o convite de uma amiga para juntar-se à uma roda de adeptos da brisa, durante a festa de aniversário em uma chácara no interior do estado. E, entre interrupções da colega de viagem de trem com perguntas sobre sexo e o apito para fechar as portas, Beth tentava explicar como conheceu e se envolveu com Flávio* depois daquela noite na roda do baseado. E como ele era o homem da vida dela. “Mas como você vai convencê-lo a se casar?”, perguntava a amiga pentelha. “Não sei. Vou esperar ele querer”, retrucava Beth. E a conversa seguiu por esse rumo até descermos na mesma estação. Beijos e abraços femininos, desejos de boa noite e direções opostas. Lá se foi uma das maiores incógnitas que pude presenciar na vida.

A grande questão aqui é a suposta exigência. Homens e mulheres (muito mais as mulheres do que os homens) se dizem exigentes quando o assunto é o amor. Querem companheiros inteligentes, engraçados, bonitos (ou não), sarados (ou não), com [muito] dinheiro, fiéis, que não sejam ciumentos… e a lista continua. “É um filtro natural”, defendem alguns. “Eu quero o melhor para mim”, explicam outros. Vamos pensar de outra forma. Imaginemos que as pessoas gostem apenas da ideia de ter um companheiro ou companheira assim. Alguém que saiba conversar sobre a Primavera Árabe, que coloque uma música romântica enquanto cozinham juntos e tenta impressionar falando abobrinhas sobre vinhos tintos, que lave os pratos, que seja recíproco. Não seria legal namorar alguém que cumpra com todas as suas expectativas?

Não. Nenhum ser humano é uma laranja sem metade, um pé descalço, um avião sem asa. Desculpe, Adriana Calcanhoto, mas pessoas são completas. Possuem uma vida totalmente planejada, mesmo que o planejamento seja não ter plano algum. E podem sim ter expectativas. Mas a mais importante delas, seja em um homem ou mulher, é encontrar alguém que te faça feliz do jeito que é. Não importa se faz o tipo modelo de revista ou inimigo da academia. Mais exigente do que você é o seu próprio coração. E ele só bate por quem sabe fazê-lo bater. Te dando casa, comida e roupa lavada ou sendo apenas seu amante. A paixão vem de surpresa e não se importa com status, idade, cor ou credo. Saber aceitar um amor puro vai muito além de querer ser amado, mas de quebrar tabus. “Não curto mina tatuada”, já ouvi de amigos. “Eu fujo de homens atletas. São muito cachorros”, expulsou-me, outra. Daí, lembro de mulheres que passam anos “ao lado” de homens que cumprem detenção. Pessoas traídas que não abandonam seus algozes. Idas e vindas de romances turbulentos, pacíficos. E o filtro dessas pessoas? Existe?

Não carregue a culpa de não corresponder às expectativas de alguém. Poucas pessoas marcam nossas vidas a ponto de nos entregarmos cegamente. E isso vai mais do que ser exigente, é sentir realmente a sintonia, a harmonia entre duas pessoas. Quando entender que é necessário sentir tudo isso com o coração, será feliz com quem quer que seja. Será amado e aprenderá a amar. Afinal, quem muito escolhe, acaba sendo escolhido, não tem jeito.

“O essencial é invisível aos olhos”.

Palavra de macho

(por Bruno Acioli)

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Relacionamentos Esquizofrênicos

18/01/2012

Uma das características mais assustadoras da esquizofrenia é quando o paciente começa a ter alucinações. Pessoas que só ele vê, sons que só ele ouve. É uma das muitas peças que nossa mente complexa pode nos pregar e percebemos o quanto somos frágeis, como seres humanos.

Embora eu tenha quase certeza de estar no controle das minhas faculdades mentais, acabei por me envolver em muitos relacionamentos que, em determinado ponto, começaram a me fazer questionar minha sanidade. Deixando claro desde já, que não se trata de relacionamentos casuais, sem envolvimento emocional.

Foram relacionamentos em que somente as pessoas envolvidas — no caso eu e o dito-cujo — sabíamos da existência, por um motivo ou outro. E depois de vários meses, eu chegava a conclusão de que nenhum de meus amigos havia nos visto juntos, eu não podia falar sobre ele em lugar algum, não podia contar à minha família e ele, por sua vez, também não me assumia de forma alguma. Será que ele EXISTIA?

Certamente que o indivíduo sim, mas o relacionamento, só na minha ingênua cabecinha.

Por todas as vezes que isso aconteceu, cheguei a levar o enrosco por meses, obviamente apaixonada, mas no fim tudo ruiu antes mesmo de assumirmos. A minha conclusão sempre foi: “se não vale a pena assumir, porque valeria a pena continuar insistindo?”

A questão é que podemos embarcar em uma furada dessas por um zilhão de motivos diferentes. Seja porque não queremos que algum ex fique sabendo, porque no início queremos ir devagar para preservar a vida pessoal, ou até mesmo porque não é um relacionamento, por assim dizer, legítimo.

O problema começa no exato instante em que você não quer mais deixar a coisa sob panos quentes (ou lençóis, como preferir) e aí já não sabe mais como fazer isso.

E aí? Como resolver?

Bom. Aí é a hora de ver o que vale a pena para você. O quanto você gosta do cara? Qual é a probabilidade do entrave se resolver e vocês poderem assumir que estão juntos?

Normalmente, o que acontece nesta situação, é que o rapaz (ou moça)  em discussão está acomodado.

Ele até pode gostar de você. Mas te mantendo em banho-maria, tem um carinho fixo a hora em que quiser e ainda pode sair para se divertir como solteiro. (No caso dos solteiros, claro. Se você for a outra, ele conta vantagem na hora de poder comer duas diferentes). Dificilmente um homem vai sair de sua zona de conforto, depois que entrou nela.

Um relacionamento deste pode ser terrível para sua autoestima, porque uma hora você vai se perguntar “por que será que eu não pareço valer a pena de um esforço, para ele?”

Então, somente para fins de pesquisa científica, classificaremos:

casus esquizofrenicus: é aquele que você tem, mas de vez em quando bate uma dúvida se não é só coisa da sua cabeça, já que não tem provas documentais e tudo o que seus amigos conhecem dele é o que você diz.

E você? Já se envolveu com alguém e teve que manter segredo? Já achou que estava alucinando uma relação inteira? Já sentiu que o ficante estava acomodado? Diz aí!

Deka

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